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YouTube traz ao Brasil sua briga com Spotify e Netflix
Publicado em: 26/09/2018

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Estreia dos serviços YouTube Music e YouTube Premium gera expectativa de melhores pagamentos aos autores, mas política da empresa ainda não está totalmente clara

De São Paulo

O YouTube lançou nesta terça-feira (25) no Brasil suas duas apostas para entrar de vez na briga com dois gigantes do streaming de música e vídeo. Com os serviços YouTube Music e YouTube Premium, o maior portal de conteúdos audiovisuais do planeta ataca o Spotify e o Netflix, respectivamente, com uma oferta de conteúdos exclusivos e por assinatura. Ainda não está totalmente clara qual será a política de pagamentos aos autores na nova fase, mas há uma expectativa no mercado de que os repasses por stream cresçam.

“Era uma demanda da comunidade de criadores, das gravadoras, dos artistas e também nossa. Vamos apostar nesta solução de dois modelos (o novo, pago, e o atual, gratuito e sustentado por anúncios). Entendemos que somos a maior plataforma global onde se consome música, então nossa decisão animou a todos”, disse o diretor global de música do YouTube, Lyor Cohen, à Revista UBC em sua edição de agosto, numa mudança notável de postura. Até recentemente, o YouTube se recusava a reconhecer-se como um serviço de streaming, reforçando seu caráter de plataforma alimentada por seus usuários. Isso lhe permitia amparar-se num mecanismo legal chamado porto seguro da internet, que lhe eximia de responsabilidade pelos conteúdos. Em consequência, os pagamentos de direitos autorais eram ínfimos e motivos de queixas constantes na comunidade de criadores global.

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O preço das assinaturas no Brasil será de R$ 16,90, cifra equivalente às de Spotify e Netflix (em seu plano básico). Nos EUA, ambos os pacotes, disponíveis desde maio, saem por US$ 9,90. Além da versão web, dois aplicativos (para os sistemas Android e iOS) permitem o acesso aos conteúdos premium de música e vídeo do YouTube. A gigante do conglomerado Google não divulgou sua estimativa de captação de assinantes no Brasil, mas prevê-se uma agressiva campanha de marketing para disputar mercado com as plataformas já estabelecidas. A aposta, no caso do YouTube Music, é oferecer catálogos raros, ainda não disponíveis no Deezer ou no Spotify, “aquelas músicas difíceis de achar, que você só encontra no YouTube”, como descreveu a companhia num comunicado enviado à imprensa.

No caso do YouTube Premium, o serviço substitui a malsucedida tentativa anterior do YouTube de brigar com o Netflix, o YouTube Red, que nunca decolou. Além da remoção da propaganda dos vídeos, há também o oferecimento de conteúdos exclusivos. Fontes do mercado vêm repetidamente dizendo que, nos próximos anos, o YouTube deve começar a produzir suas próprias séries e filmes, disputando com estúdios cinematográficos e megaprodutoras como HBO.

Enquanto isso, analistas ponderam que o lançamento dos serviços premium é uma tentativa do YouTube de se antecipar às esperadas pressões que sofrerá das autoridades, principalmente na Europa, para melhorar os pagamentos aos autores. Recentemente, a aprovação de uma nova diretiva de direitos autorais digitais naquele continente — cujas bases devem ser reproduzidas nas respectivas legislações nacionais dos países membro da União Europeia — trouxe mecanismos legais de pressão sobre os gigantes da web que retribuem mal aos autores pelos conteúdos difundidos. Assim, o YouTube, com sua política de assinaturas, estaria repassando a fatura aos ouvintes, mantendo intactas suas altas margens de lucro com a joia da coroa, o serviço gratuito baseado em anúncios. 

“Estou em contato permanente com nossos executivos e posso afirmar: não estamos discutindo o abismo de valor (a concentração da maior parte dos lucros nas mãos da própria plataforma, e não nas dos autores das obras)”, admitiu Lyor Cohen ao site estadunidense Music Week em junho passado. “Estamos discutindo como maximizar nosso funil de vendas e fazer crescer nosso negócio. Isso é ótimo”, ele definiu, referindo-se a iniciativas como YouTube Music e YouTube Premium.

A aposta, descreve o executivo, é o ganho por escala. Ou seja, as cifras de pagamentos por stream na modalidade mais lucrativa, a gratuita, continuarão difíceis de ler, tamanha a quantidade de zeros à esquerda. A lógica seria aumentar cada vez mais a já incrível base de usuários — que atualmente ascende a 1,9 bilhão de pessoas no mundo todo — para poder distribuir mais aos titulares de direitos autorais, sem necessariamente rever o abismo de valor.


 

 



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