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Venda de ingresso também é coisa de artistas
Publicado em: 10/01/2019

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Conheça alguns dos conceitos levados em conta por plataformas que trabalham com organização de eventos e entradas e saiba como isso pode impactar no sucesso do seu show

Por Gilberto Porcidonio, do Rio

Antes de subir ao palco, você pensa em todo o caminho que cada pessoa que compareceu ao seu show fez para estar ali? Pois saiba que até a logística envolvida na venda de ingressos, que inclui saber de onde a pessoa é, quem é e como chegou, tem um forte impacto no resultado das bilheterias e também no engajamento dos fãs com o artista.

É o que sustenta Karla Megda, a responsável por negócios e relacionamento da Sympla, uma plataforma on-line de venda de ingressos e administração de eventos com sede em Minas Gerais. Para ela, diversos fatores influem no resultado de uma boa venda, e o timing da logística e da estrutura do show tem tudo a ver com isso.“Se a gente depende da venda de ingresso para pagar um evento, precisa investir nisso com atenção. É preciso saber que o processo de venda é tão importante quanto a atração do evento em si”, diz.

Para início de conversa, os produtores dos shows precisam se familiarizar com o conceito de SEO, ou otimização dos mecanismos de busca da internet, na sigla em inglês. Entender como os fãs buscam informações, de onde é feita a maioria das buscas e até a que horas isso se dá é importante para planejar as vendas. Há diversas empresas que fazem essas análises e podem fornecer os dados que permitam uma venda tal que aumente o engajamento das pessoas e coloque aquele show numa espécie de “trending topic” das buscas, por assim dizer. 

De acordo com a plataforma de identificação de público PasseVip, do Rio, uma das formas mais simples e bem-sucedidas de influir nas vendas é oferecer os ingressos por lotes. “Com isso, é criado um senso de urgência nos compradores, e, além de gerar uma atenção maior do fãs, já que eles vão desejar comprar os primeiros lotes e irão divulgar para os amigos, esse tipo de distribuição também permite um maior controle da venda. Com esse planejamento, você conseguirá saber a quantidade exata de entradas que foram vendidas, já que existe um número limite destinado para cada lote.”

A Sympla também já detectou que os shows de maior sucesso são os que têm mais giro de lote. Eles têm analisado um segmento bem específico do pop mundial que tem lições a dar na organização das vendas e na apresentação dos artistas: o k-pop, ou pop coreano

“Temos acompanhado muitos as bandas estrangeiras do k-pop, os gamers, os youtubers... Todos eles têm um nicho de fãs que são muito imediatistas, querem o retorno de tudo muito rápido e são muito ativos online”, diz Karla. “Essas bandas vêm pouco ao Brasil. Quando vêm, não têm um público enorme de megafestival, mas, em geral, estouram o limite das casas nas quais se apresentam. Ou seja, há escassez de ingressos”, ela explica. 

De novo, entram as táticas de SEO: saber a hora de começar a vender, saber onde oferecer primeiro. Conhecer os hábitos do público, e não só de jovens conectados, é vital para o êxito. “Se eu tenho um público para o meu evento que é superengajado politicamente, por exemplo, talvez não seja o ideal fazer a divulgação do meu show no meio de uma eleição, pois o evento pode ser esquecido ou ficar diluído”, afirma Karla. “De modo geral, é sempre bom a gente pensar quem é que vai comprar o nosso evento e qual é a rotina dessas pessoas.” 

Apesar da profissionalização crescente das empresas que oferecem esse tipo de serviços, Karla adverte que os artistas devem ter, pelo menos, uma noção de como tudo isso funciona, procurar se envolver minimamente.  

“Trata-se de conhecer o seu público. Se, muitas vezes, o artista tem um acordo com a casa sobre a venda de ingressos, com muitos artistas entrando também de sócios de bilheteria, por que eles não se envolvem nessa estratégia de vendas de divulgação também? A casa pode ter um público eclético que muda de evento para evento, mas a banda tem o público dela e tem o poder de antecipar, sim, a compra dos ingressos. Talvez muito mais do que o produtor ou a casa.”

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