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Morre no Rio o produtor Sérgio de Carvalho
Publicado em: 27/01/2019

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Responsável por grandes álbuns de Chico Buarque, Edu Lobo e João Bosco, ele trabalhou com uma constelação de artistas nacionais e estrangeiros, vendeu dezenas de milhões de discos, teve passagens marcantes por gravadoras e deixa um legado que vai além da capacidade técnica e da sensibilidade artística

Do Rio

Foto: reprodução do Instagram do produtor

Indiscutível capacidade técnica, sensibilidade artística, uma permanente leveza no trato e duas grandes paixões: o clube de futebol Botafogo e as motos. Entre muitas outras boas lembranças, assim se recordarão os amigos do produtor Sérgio de Carvalho, morto precocemente neste sábado (26), aos 69 anos, no Rio, de causas não reveladas. Irmão dos músicos Mú e Dadi Carvalho, o carioca Sérgio foi o responsável por grandes álbuns de Chico Buarque (“Meus Caros Amigos”, de 1976, “Chico Buarque”, 1978, e “Vida”, 1980), Edu Lobo (“Camaleão”, de 1978, e “Tempo Presente”, de 1980) e João Bosco (“Bosco”, de 1989), além de ter orquestrado uma guinada artística de Simone, com o disco conceitual “Delírios, Delícias”, de 1983. Também trabalhou com nomes como Caetano Veloso, João Gilberto, Gal Costa, Nara Leão, Emilio Santiago, Paulinho da Viola, Roberto Menescal e Luiz Melodia.

Por 15 anos, foi produtor e diretor musical na TV Globo, onde criou, entre outros, o programa “Chico & Caetano” e dirigiu os especiais de fim de ano de Roberto Carlos. Também chegou a produzir faixas para Mick Jagger e, prestigioso internacionalmente, era membro votante das academias americanas responsáveis pelo Grammy e pelo Grammy Latino. Teve passagens marcantes pelas gravadoras Philips, BMG e Universal, onde trabalhava atualmente.

“Era, simplesmente, um excelente produtor. Daqueles que incentivam os compositores, que estimulam a criar, que tiram o melhor da gente. Era obcecado por ouvir coisas novas, por pesquisar sons diferentes. Em resumo, era 'o' produtor”, elogia Paulo Sérgio Valle, presidente da UBC, que compartilhava com Sérgio outro hobby. “Ele também adorava motocicletas como eu. Um dia, me comentou que havia vindo de moto para o trabalho. Eu quis saber qual era. Era uma Harley Davidson também, como a que eu tenho. Tínhamos muitas coisas em comum. E era difícil não ter algo em comum com ele. Sérgio era uma pessoa mais do que agradável. Uma pena, realmente, ter nos deixado.”

Para o diretor-executivo da UBC, Marcelo Castello Branco, o alto astral do produtor era uma das suas principais marcas. “Sempre tinha a palavra curativa, curador que era. Trabalhamos juntos por anos, e sempre vi este caminhar positivo de quem fez, de quem ajuda a fazer. Vai deixar saudades, mas deixou vários discípulos, generoso que era”, afirma. 

Ao longo de quase cinco décadas de atuação, Sérgio produziu álbuns que venderam mais de 38 milhões de cópias. Por isso, ganhou 86 discos de ouro, 29 de platina, 20 discos duplos de platina, 12 triplos, dois de diamante, um duplo e um triplo de diamante. Mas, para além de tantas realizações, deixará outro legado, como descreve o crítico Mauro Ferreira num emotivo texto publicado em seu blog após a morte de Sérgio: “Nos bastidores da indústria fonográfica, normalmente tensionados por embates cotidianos entre executivos e artistas, Sérgio de Carvalho podia, por vezes, parecer até um estranho no ninho. Porque era uma pessoa leve e tinha o dom de iluminar reuniões e ambientes sisudos, egoicos, com o sorriso de quem parecia estar sempre de bem com a vida.”

O velório do produtor ocorre neste domingo, no Cemitério de São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio. E a cremação, prevista para o fim da tarde, será no Cemitério do Caju, na Zona Norte da capital fluminense. 


 

 



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