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China: cantor, compositor, produtor, inovador
Publicado em: 18/03/2019

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Ao lado do filho Matheus Câmara, ele estreia o show infantil “Minijoia”, que, ao misturar tecnologia e instrumentos variados, permite às crianças criarem as bases das canções em tempo real

Do Rio

Foto de Pamella Gachido

Manguebeat, frevo, rock (metal inclusive), indie, baião, pop — e literatura, apresentação de programa de carnaval na TV, produção musical... O olindense China, de 39 anos, é o que se poderia chamar de “homem renascentista da música”, destacando-se por seus interesses diversos. Na estrada há mais de duas décadas, primeiro com a banda Sheik Tosado, depois com projetos solos que derivaram em quatro álbuns de estúdio, numa infinidade de parcerias e na banda Del Rey, formada pela união com os também pernambucanos do Mombojó, ele agora tem dedicado tempo e energia a projetos infantis. 

Ano passado, publicou “Carlos Viaja”, livro que evoca a estética do cordel numa história para os pequenos ilustrada pela cantora e compositora Tulipa Ruiz. Já havia participado da banda Coisinha. E, mês passado, estreou o show "Minijoia" em parceria em cena com o filho Matheus Câmara, multi-instrumentista de 20 anos (à direita, na foto, com o pai), e cujas músicas foram escritas em colaboração com o outro filho de China, Tom Câmara.

No projeto, ambos exploram os sons emitidos ao vivo pela plateia e, com a ajuda de sintetizadores e instrumentos variados, criam as músicas na hora, improvisando e surpreendendo. “O legal disso é que, em cada show, as canções vão ganhando novas versões, pois cada plateia é diferente. Num tempo em que percebo que a maioria das crianças fica presa numa tela de smartphone vendo desenhos, dar a eles outras opções de músicas, brincadeiras e interação é essencial para a sua formação”, ele diz num bate-papo por e-mail com o nosso site. 

De quem partiu a ideia do projeto “Minijoia”? Que participação você tem, e qual é a do Matheus?

CHINA: A ideia veio um pouco dos dois. Eu queria muito fazer um trabalho para a criançada e também tocar com meu filho, que, para mim como pai, é um prazer que nem dá para explicar. Eu queria fazer versões de músicas do cancioneiro infantil, mas Matheus insistiu em que deveríamos criar novas canções usando elementos da música eletrônica, apenas ele e eu no palco tocando todos os instrumentos. Meu outro filho, Tom, também participa do “Minijoia” escrevendo as letras comigo, mas não topou ir para o palco cantar (risos). Então, basicamente, Matheus cuida das programações eletrônicas e toca guitarra e teclado. Eu canto, toco baixo e guitarra em algumas canções e escrevo as letras com Tom.

Como exatamente é essa composição ao vivo a partir de sons da plateia?

Nós gravamos em tempo real sons que propomos para as crianças repetirem. Por exemplo, palmas, batidas com o pé no chão, barulho de escovação dos dentes, imitando animais e as suas vozes… A partir desses sons em tempo real, vamos construindo as músicas junto com a molecada, usando tudo como base da batida ou como intervenções. O legal disso é que, em cada show, as canções vão ganhando novas versões, pois cada plateia é diferente. Essa foi a forma que encontramos para interagir mais com as crianças e trazê-las para dentro das canções, propondo uma interatividade total, bem como a quebra entre banda e público. Quando eu era criança, achava um saco apenas ficar sentado na plateia dos shows a que meus pais me levavam, porque o que eu queria mesmo era participar daquilo. 

Por que um projeto para crianças?

A molecada vai num show porque os pais levam e falam que aquilo é bacana, mas ela não conhece e não faz ideia do que vai acontecer ali. Então, cativar cada pequeno é muito desafiador para nós, artistas. Como pai, sei bem que, quando a criança não gosta de algo, ela simplesmente dispersa a atenção e arruma outra coisa que mais lhe agrade. Então, quando a gente está terminando o show e percebe que eles querem mais, esse é o nosso maior prêmio. Tem também a vontade de renovar o cancioneiro infantil, levando em conta a velocidade da informação, de como as crianças de hoje se relacionam com a tecnologia e as novas formas de brincar. Num tempo em que percebo que a maioria das crianças fica presa numa tela de smartphone vendo desenhos, dar a eles outras opções de músicas, brincadeiras e interação é essencial para a sua formação.

Parece tratar-se mesmo de um projeto eminentemente musical, isto é, não tão amparado em recursos audiovisuais. Ainda é possível prender a atenção dos miúdos sem usar fartamente imagens, desenhos, vídeos?

As crianças querem mesmo é brincar e se divertir. Se elas são estimuladas para isso, vão felizes da vida. O grande lance do “Minijoia” são mesmo as canções, as brincadeiras que propomos e a interação com a molecada. Mas contamos também com um VJ (sempre que a estrutura permite). Essas projeções são mais uma forma de interação, além de garantir a acessibilidade a crianças surdas por exemplo, com as projeções de ondas sonoras. Temos grande preocupação em fazer o espetáculo da forma mais acessível e inclusiva possível. Todos os shows contam com intérprete em Libras. E também propomos algumas ações básicas que permitem um espetáculo um pouco mais inclusivo, como falar fora do microfone para que crianças cegas tenham maior percepção espacial (onde está o palco, por exemplo). Igualmente, convidamos essas crianças a subir ao palco e reconhecê-lo antes do show. O próximo passo é viabilizar audiodescrição.

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