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Stories: Integração com o fã descomplicada e direta
Publicado em: 29/12/2017

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Artistas e especialista falam de aplicativo que permite publicações temporárias e pode ser usado como uma espécie de 'reality show'

Por Kamille Viola, do Rio

“Alô, galera do stories...”. Quem acompanha o Instagram Stories da cantora Letícia Novaes (na foto), do projeto Letrux, com certeza já ouviu esse bordão: é assim que ela se refere aos seus seguidores. Letícia é um exemplo de artista que faz bom uso da ferramenta, que tem 300 milhões de usuários diários e não para de crescer. Com publicações que duram apenas um dia no ar, o Instagram Stories acaba estimulando publicações mais espontâneas e pode se transformar em uma espécie de reality show dos bastidores do dia a dia do artista, tornando-se um ótimo aliado na comunicação com o público.

“O Instagram Stories copiou aquela que foi a maior inovação trazida pelo Snapchat: conteúdos que se apagam depois de 24 horas e que, em tese, trazem maior privacidade ao usuário, que fica mais despreocupado com o fato de que poderá publicar fotos e vídeos que não ficam permanentemente na rede. Isso estimula seus usuários a compartilharem conteúdos mais leves e descompromissados, sem tanta ‘produção’ quanto os posts comuns do Instagram — aquela foto elaborada no restaurante japonês ou aquela selfie escolhida entre dezenas de outras tiradas são coisas mais raras no Stories, que acaba concentrando fotos e vídeos mais espontâneos”, analisa o jornalista e consultor de comunicação em meios digitais Alexandre Inagaki, sócio-diretor da PEPN Comunicação Digital.

Letícia, que em 2017 ficou sob os holofotes por conta da boa repercussão do disco “Letrux em Noite de Climão”, conta que é justamente o caráter mais descompromissado do recurso que a atrai. Com 26 mil seguidores no Insta, ela chega a ter oito mil visualizações em um post no Stories. “Tem essa coisa legal de mostrar um perfil um pouco mais espontâneo, e as pessoas gostam, adoram bastidores. Em um post, você pensa no que vai escrever, edita, põe filtro — até tem filtro e emoji no stories, mas uso de maneira despretensiosa: posto quando estou de ressaca, de cara amassada na cama. Gera uma aproximação com o artista”, comenta ela. “Você faz um vídeo meio bêbada que nunca botaria na timeline. Você pensa: ‘Daqui a pouco some’. O fato de ser efêmero me dá uma liberdade para brincar”, admite.

 

"Documentar o processo de composição ou de gravação de uma música, os bastidores do camarim de um teatro, a adrenalina pós-show... Fazer do aplicativo uma espécie de reality show para que os seguidores de um artista se sintam mais próximos dele."

Alexandre Inagaki, consultor em mídias sociais

Rafael Mike, cantor, compositor e dançarino do Dream Team do Passinho, é outro que publica com frequência no Instagram Stories. Com 72.300 seguidores, chega a ter 7 mil visualizações no Stories. “As pessoas gostam de entender o processo, sabe? A internet deu essa possibilidade. Hoje eu posso acordar, falar para uma pessoa o que eu estou pensando em fazer naquele dia e de fato mostrar para ela o que acontece nesse dia. Isso é importante e é muito interessante. Cara, eu sou da época em que a MTV era a única coisa que eu conseguia ter como referência para ter informação do artista que eu curtia, por exemplo. Eu morava em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, tinha que ter uma antena UHF, o sinal lá era horroroso... Era muito difícil entender, por exemplo, como o cara está produzindo uma música dele ou como está planejando levar a semana com a banda dele na estrada.”

Lançado em setembro de 2011, o Snapchat crescia exponencialmente até ser desbancado pelo Instagram Stories, que chegou ao público em agosto de 2016. O Facebook (que é proprietário do Instagram), por sinal, tentou comprar o Snapchat em 2013, por US$ 3 bilhões, mas recebeu uma negativa. O original acabou sendo superado pela cópia: em novembro de 2017, o Instagram Stories chegou à marca de 300 milhões de usuários diários, enquanto o Snapchat tem 178 milhões.

Rafael Mike, do Dream Team do Passinho: milhares de seguidores

Para artistas, Alexandre Inagaki sugere aproveitar recursos de interação como as enquetes (“Por exemplo, postar uma foto de dois pares de tênis e perguntar qual deles deveria ser usado no show daquela noite”, diz) e fazer vídeos mostrando o “making of”. “Documentar o processo de composição ou de gravação de uma música, os bastidores do camarim de um teatro, a adrenalina pós-show... Fazer do aplicativo uma espécie de reality show para que os seguidores de um artista se sintam mais próximos dele. E é sempre legal incentivar fãs a fazerem fotos e vídeos, né? Pedir que eles façam posts mostrando imagens de shows, mandem perguntas com uma hashtag como #FulanoResponde, a serem respondidas pelo artistas...”, enumera.

Rafael Mike e seus colegas do Dream Team do Passinho adotaram um desses usos: eles postam em seu Stories vídeos recebidos de fãs dublando o single mais recente do grupo, “Oi Sumido”, lançado em novembro. “A gente teve uma experiência muito doida com a música que trouxe a gente para o universo, que foi ‘Aperte o Play’ (de 2015). Recebemos vídeos da Croácia, Japão, China, México, Estados Unidos... Quando contamos, as pessoas se chocam. Na época, não tínhamos uma relação com uma rede social que tivesse essa linha do tempo”, explica.

Embora frise que é importante postar com alguma frequência, Letícia Novaes acredita que não vale a pena publicar qualquer coisa. “Conteúdo é mais importante que quantidade. Quando o Stories foi lançado, eu critiquei, falei mal. Não cheguei a falar ‘nunca’ porque não sou dada a isso, eu me conheço (risos). Encontrei um jeito de não ser maçante ou banal. Cada um tem que encontrar sua dinâmica de rede social, cada vez mais essas coisas vão fazer parte das nossas vidas. Eu gosto de fazer coisas divertidas, minhas redes vão refletir o que eu sou”, resume.

 

 



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