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Futebol e música, tabela infalível
Publicado em: 14/06/2018

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Associar duas das maiores paixões nacionais é fórmula de sucesso, daí a presença nada rara de boleiros atacando de músicos e vice-versa

Por Roberto de Oliveira, do Rio

Foto: Reprodução de vídeo musical de Neymar Jr. no Vevo

Copa do Mundo combina com música. Aliás, o futebol tem tudo a ver com a música, tanto que todo Mundial tem seu(s) hino(s), aquele(s) hit(s) que embala(m) a torcida e enaltece(m) a seleção brasileira. Na Copa do Mundo da Rússia, que começa nesta quinta-feira (14), temos até algumas boas canções tocando nas rádios para levantar o ânimo do torcedor. O problema vai ser enfrentar a "torcida contra", um pacote assombroso de interminável desassossego político, crise econômica, falta de emprego e a ainda não totalmente digerida ressaca dos 7 a 1 que a Alemanha nos "presenteou" em casa, na última edição do torneio. No campeonato do sucesso na música futebolística, portanto, os artistas-atacantes terão um desafio e tanto pela frente. Principalmente quando surgem as inevitáveis comparações com hits do passado.

NO PRINCÍPIO, UM UFANISMO EXAGERADO

A taça do mundo já não é nossa desde que a roubaram, em 1983, do prédio da CBF, no Rio, mas a música composta por Wagner Maugeri, Lauro Muller e Maugeri Sobrinho para homenagear o time bom de bola que trouxe o primeiro título, em 1958, ainda é lembrada. Na Copa de 1970, “Pra Frente Brasil” foi a trilha sonora da campanha vitoriosa do tricampeonato, apesar de guardar até hoje um sabor amargo, pelo ufanismo exagerado e a inegável associação com o “Brasil Grande” que a sanguinária ditadura militar da época buscava.

Ufanista ou não, a canção ficou para a posteridade e mostra que associar futebol e ritmos variados — com o samba na cabeça — é garantia de golaço. Tanto é assim que não poucos atletas deram um tempo na chuteira e foram aos estúdios interpretar hits, futebolísticos ou não. “Povo Feliz”, conhecida como “Voa, Canarinho” na voz do jogador Junior, ficou marcada como um símbolo da Copa de 1982, principalmente quando era tocada após um gol do time de Telê Santana, um dos melhores já vistos. Júnior era lateral esquerdo da seleção, e a alegria só acabou no pouso forçado do Canarinho, a derrota por 3 a 2 para a Itália.

Júnior não foi o único jogador a fazer música e embaixadinha ao mesmo tempo. Seu companheiro de time Zico foi tema da música “Camisa 10 da Gávea”, de Jorge Ben Jor, e ainda de “Saudades do Galinho”, de Moraes Moreira. A empolgação do eterno Galinho de Quintino foi tanta que ele próprio se aventurou com os microfones e gravou a faixa “Um Batuque de Praia”, com Raimundo Fagner, na década de 1980.

O mais famoso jogador da história nacional, Pelé, cujo nome figura entre os dos associados à UBC, tem na carreira músicas como “Cidade Grande”, que canta ao lado de Jair Rodrigues, e “ABC do Bicho-Papão”, na qual aparece cercado de crianças para falar sobre a importância da educação.

NEYMAR, ASSOCIADO UBC

Corta para o século XXI, e outro que promete escrever seu nome no rol dos grandes craques da nossa história também é do time de titulares — da seleção e da UBC, à qual é associado. É Neymar Jr, que aparece em clipes como “País do Futebol”, ao lado de MC Guimê e Emicida.

O envolvimento do nosso principal goleador com o mundo da música, porém, é mais antigo. Atribui-se a comemorações suas pós-gols, à base de dancinhas ao som (imaginário) de “Ai Se Eu Te Pego”, o estouro mundial da canção de Michel Teló. Depois disso, ele andou se aventurando na composição, e, entre suas obras representadas pela UBC, está a música “O Amor Tá Aí”, além de já ter cantado com Anitta e Cláudia Leitte.

TABELINHA COM A MPB

Com muito mais propriedade, artistas de todos os estilos e momentos da nossa música — de Chico Buarque e Jorge Ben Jor a Emicida, Gal Costa ou O Rappa — deixam sua marca falando do esporte mais popular do país. Nesta Copa, uma das novidades é Renato Biguli, cantor do grupo Monobloco e da banda Cabeça de Nego, que está prestes a lançar seu novo álbum em carreira solo. O single "Domingo de Sol" já está no YouTube, e o artista espera que a seleção faça bonito na Rússia. “Por que não falar de futebol neste momento em que o Brasil está em busca do hexa?”, argumenta o cantor, e explica a relação da sua música com o esporte: “O Brasil transcende pelo futebol, porque é uma paixão nacional, e o domingo é o dia em que a grande maioria da população está dentro de suas casa e gosta de curtir um futebol.”

Até Djavan, que tem um estilo bem mais tranquilo, já confessou que é Flamengo em “Boa Noite”. Da mesma forma, o Skank, com “É uma Partida de Futebol", deixou um legado para a MPB nessa tabelinha entre música e futebol.

“O Campeão”, cantada por Neguinho da Beija Flor e todas as torcidas que vão domingo ao estádio torcer pelo time de coração, era para ser apenas para o Vasco da Gama, mas ainda bem que ele desistiu da exclusividade e deixou um hit para todos os fãs do futebol.

A troca de passes e o amor dividido entre a arte e o esporte fizeram Chico Buarque criar um time de futebol, o Politeama, no qual já jogaram Bob Marley e o doutor Sócrates. Nós, que somos fãs da alegria, entramos em campo num popular serviço de streaming e elencamos alguns dos hits máximos que relacionam as duas maiores paixões do brasileiro. 

OUÇA MAIS: A playlist Futebol e Música, Paixões Nacionais, com clássicos para curtir na abertura da Copa

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 



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