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A Travessia de Lígia Jacques e de Rogério Leonel... por Conservatória
Texto de Clarissa Alves Machado e Luiz Carlos Prestes Filho
Legenda da fotografia: O casal Ligia Jacques e Rogério Leonel
com o seresteiro Joubert de Freitas
“Sentimos em Conservatória que estamos vivos, que a nossa arte vai sobreviver aos tempos. Como seria importante para os músicos de Belo Horizonte sentir o que sentimos neste momento. Aqui não é a mídia que manda. Aqui se preserva o DNA da nossa canção de amor”, desabafou, entre um gole e outro de cachaça, Rogério Leonel, no Restaurante Dó-Ré-Mi, local de encontros poético-musicais no centro de Conservatória. Visitando a Capital das Serestas e Serenatas pelo projeto VIVA O COMPOSITOR da UBC, ao lado da cantora Lígia Jacques, sua companheira de vida e de profissão, o músico era a própria confirmação das profecias de José Borges: “Virá um futuro em que os compositores e músicos profissionais virão ouvir os seresteiros para sentir o sabor da improvisação, do amadorismo, das vozes desafinadas, mas cheias de amor e espontaneidade que faltam no mundo de negócios musicais”.
Lígia, que comparou a seresta a um ritual “quase religioso, parecido com a comunhão da meditação”, cantou para o seresteiro Joubert – irmão mais moço de José Borges, que com ele fundou a tradição da serenata – logo no primeiro dia de sua viagem a Conservatória. Ao conhecer, no Museu da Seresta, a cantora mineira que desde os fins da década de 70 atua no cenário musical de Belo Horizonte, Joubert lhe pediu que mandasse um beijo para todas as mulheres de BH – para os homens, mandou apenas um “cruz credo”.
“Casamos na música”
A parceria musical de Rogério e Ligia começou em 1979. Naquele ano, seria realizado o Festival de Música da UFMG (onde Ligia então cursava Biblioteconomia), e ela foi convidada para cantar a canção que ele havia preparado para o festival. “O primeiro arranjo vocal de música popular que eu fiz, foi a primeira que ela cantou”, conta ele. Os dois se conheceriam no “Bar do Tadeu”, ponto de referência dos músicos de Belo Horizonte.
Por essa época, Rogério – filho de um sanfoneiro do interior de Minas, que aos dez anos ganhara o primeiro violão e aos treze “tirava de ouvido” grandes artistas – já vivia de música, enquanto Ligia começava a se integrar a esse universo, atuando junto ao “Grupo Mambembe” (ligado a outros importantes nomes da música mineira, como Toninho Camargo, Ricardo Faria e Titane). “Rogério influenciou e desenvolveu a minha trajetória”, diz Ligia, a quem as turnês levariam a se apresentar em cidades como Brasília, São Paulo, Campina
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