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Obra de Carlos Imperial é reavaliada e restaurada
Publicado em 16/06/2009

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RIO - No que depender dos herdeiros e pesquisadores do polêmico e irrequieto Carlos Imperial (1935-1993), só vai faltar mesmo é o relançamento de Louco por você, renegada estreia de Roberto Carlos (1961). Produzido e, em boa parte, composto por Imperial, o disco não deverá estar entre os projetos que o filho do produtor cultural, Marco Imperial, planeja ao lado da irmã Maria Luisa (conhecida nos anos 70 como jurada mirim do Programa Flávio Cavalcanti e cantora teen lançada pelo próprio pai) e do pesquisador Denilson Monteiro, autor da biografia do controverso agitador, Dez! Nota dez! Eu sou Carlos Imperial (Matrix, 2008).


Focados nas possibilidades, centram fogo na telecinagem dos controversos filmes nos quais Imperial trabalhou como produtor ou diretor, para que o material seja preservado e possa chegar ao Canal Brasil, preferencialmente em julho. Entre os longas estão histórias recheadas de comédia e sexo, como Banana mecânica (1974) e O sexomaníaco (1976), que lhe valeram a fama de depravado. Ou filmes mais sérios, como O esquadrão da morte (1975).


Para pôr o braço cinematográfico do projeto na rua, Monteiro vem há anos visitando a Cinemateca do Museu de Arte Moderna, identificando copiões. Com autorização dos herdeiros de Imperial, muitos dos materiais já encontrados foram para o YouTube e o MySpace, por intermédio de outros pesquisadores ¿ como José Marques Neto, dono do extinto canal MofoTV.


¿ Queria que o trabalho dele não ficasse esquecido. Comecei com isso quando estava fazendo a biografia. Para conhecê-lo bem, precisava ver seus filmes, dos quais ele se orgulhava. Mas não se sabia onde estavam ¿ recorda o biógrafo, que até hoje se depara com certo preconceito com relação à obra de Imperial, tachado de depravado e de picareta por muitos. ¿ Ele continua discriminado. No próprio Ninguém sabe o duro que dei, documentário sobre Wilson Simonal, que o coloca como um personagem importantíssimo, vê-se isso em alguns depoimentos. Felizmente, a nova geração não se baseia em panelinhas culturais. Mas, na época do Imperial, falar bem de Banana mecânica era pecado.


Para completar o trabalho, Monteiro e a advogada dos herdeiros, Fernanda Freitas, ainda correm atrás dos direitos de dois filmes: Um edifício chamado 200 (1973), dirigido por Imperial, e O rei da pilantragem (1969), dirigido por Jacy Campos e produzido por ele. Ambos são parte de uma obra, como relembra o antigo assistente de direção de Imperial, Mário Jorge Andrade, feita na marra.


¿ Eram filmes baratos e feitos em poucos dias. Muitos atores trabalhavam com ele de graça ou cobrando bem barato, só por gostarem dele ¿ lembra Andrade, que hoje é dublador do ator Eddie Murphy e é outro a desafinar do coro que diminuía a obra do artista. ¿ O Imperial sabia muito de cinema. Muita gente falava que eram filmes pornôs, mas não tinham nada disso. Eram comédias. E essa fama que ele tinha de violento, de sacana, não era verdade. Ele só era um cara que gostava de criar polêmica.


Monteiro lembra que os lançamentos dos filmes de Imperial já eram polêmicos por si só. Além das bolas pretas da crítica, ainda havia os happenings que o próprio cineasta armava.


¿ Quando lançou As delícias do sexo (1980), pôs, na porta, atrizes fingindo que eram da Liga da Decência, protestando contra o filme. ¿ diverte-se. ¿ Ainda botou um cara para correr pelado no meio da plateia durante a sessão.


Além disso, Monteiro e Marco estão mergulhados nas letras e melodias de Imperial, para um projeto que inclui songbook, musical (com o grupo que Marco montou com familiares e convidados, Família Imperial) e CD, a ser lançado pelo selo Saladesom. O filho de Imperial diz que as canções ¿ gravadas por um leque de artistas que vai de Elis Regina e Wilson Simonal a Silvinha Araújo ¿


 

 



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