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Representatividade feminina na música ainda é um problema atual
Publicado em 23/06/2021

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Mesmo com o aumento da participação feminina no mercado, homens ainda são maioria na música

Por Akemy Morimoto, do Rio

A participação, inserção, representatividade e liberdade de expressão de mulheres na música vem crescendo cada vez mais. O relatório da UBC “Por Elas Que Fazem A Música” de 2021, mostra que desde a elaboração da primeira edição do levantamento em 2018, o aumento do número de mulheres associadas foi de 68%. Mas, apesar da crescente integração das mulheres no mercado musical, o sistema machista ainda reflete no segmento, o que comprova que ainda há muita luta pela frente.

Ao mesmo tempo em que houve a expansão quantitativa de mulheres na música, a pesquisa da UBC também revela que quase 80% das entrevistadas afirmam ter sofrido algum tipo de discriminação. O preconceito vem das mais diversas formas, desde a subestimação da capacidade até a objetificação do corpo. Os últimos acontecimentos do mercado ressaltam este cenário.

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Recentemente, um fato assustador causou revolta entre artistas brasileiras: pela primeira vez após a popularização do Top 10 do Spotify Brasil, o ranking foi 100% ocupado por homens, seja como intérprete ou “feat”. O episódio mostra o retrocesso dentro da plataforma, que em 2019 chegou a ter 70% das paradas de sucesso ocupadas por cantoras.


    
Foto: Spotify/Reprodução

Uma série de postagens que viralizou nas redes sociais trouxe à tona mais um ponto importante com a pergunta: “E se a gente removesse os homens dos festivais de música?”. O post usa os últimos line-ups de grandes festivais, como Rock in Rio, Lollapalooza e PinkPop, para evidenciar a baixa representatividade feminina nos eventos. No Lollapalooza de 2019, por exemplo, das 68 atrações, apenas 11 eram artistas femininas ou tinham integrantes mulheres na banda.


Foto: @acucardemelanciaa/Reprodução

Com o avanço da vacinação no exterior, diversos países, como os EUA, já estão se preparando para a retomada dos grandes espetáculos. Ainda que no Brasil esta realidade esteja distante, vale a atenção para que o protagonismo feminino não seja esquecido nos eventos futuros. 

Em um cenário em que artistas mulheres lançam cada vez mais projetos inovadores, mostram suas habilidades multifacetadas - como compositoras, intérpretes, empresárias, atrizes, produtoras, instrumentistas, influenciadoras, entre outras - e apoiam novos talentos na cena, o quadro é desanimador.

Apesar de tudo, há luz no fim do túnel. Na última semana, a funkeira Mc Dricka, conhecida como Rainha dos Fluxos, teve seu rosto estampado em um telão na Times Square, em Nova York. O mesmo Spotify que teve seu Top 10 com presença exclusivamente masculina criou a iniciativa EQUAL com o objetivo de reconhecer a importância do papel das mulheres no mundo da música. Através do projeto, a artista paulistana foi capa da playlist da plataforma e representou a voz feminina no funk no outdoor mais famoso do mundo.

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Foto: Spotify/Reprodução

“Fico extremamente feliz em representar o funk e levar esse movimento para além da bolha periférica do nosso país. Sinto que a cada dia que passa estamos dando um passo maior para mostrar pro mundo o poder das mulheres em geral”, conta a Mc que também foi indicada ao prêmio BET Awards na categoria de Melhor Novo Artista Internacional.

De fato, houveram conquistas, mas falta muito - mesmo - para afirmar que mulheres e homens estão em pé de equidade no meio fonográfico. Não é comum vermos processos musicais feitos inteiramente por mulheres, da composição até a divulgação. A desigualdade de gênero ainda existe.

A UBC, ao entender seu lugar de posicionamento e luta pela igualdade, vem apoiando movimentos femininos no mercado e dando mais espaço para mulheres. Além da criação do primeiro relatório sobre o tema entre as associações musicais brasileiras, a UBC marca presença no Women’s Music Event (WME) desde a fundação da plataforma, que é dedicada às mulheres da indústria da música. O evento deste ano aconteceu na semana passada e contou com a participação da nossa diretora Paula Lima, das nossas gerentes e de artistas filiadas, como Pitty, Duda Beat e a madrinha do WME 2021, Fernanda Abreu.

Para dar continuidade na melhoria do panorama, é preciso seguir lutando e dando suporte às mulheres. Apoie a causa com ações efetivas. Escute, assista, enalteça, apoie e compartilhe trabalhos feitos por mulheres. A sociedade agradece.

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