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Iniciativa global pede créditos para compositores e outros profissionais
Publicado em 04/11/2020

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Lançada no último dia 15, campanha da Academia americana de Gravação, responsável pelo Grammy, teve alta adesão e se espalha pelas redes

Por Lucia Mota, de San Francisco (EUA)

A pouco mais de duas semanas para a edição 2020 do Grammy Latino, e a menos de três meses para o Grammy internacional, uma iniciativa global da Academia americana de Gravação, responsável pela maior premiação da indústria fonográfica, busca dar visibilidade a compositores, produtores, técnicos e outros profissionais da música. Lançada no último dia 15 de outubro, a campanha Behind the Record (por trás da gravação, em português), acompanhada da hashtag #GiveCredit (dê o crédito), espera levantar o debate sobre a necessidade de reconhecer a participação da imensa tropa que não opera sob os holofotes e que põe a roda da música para girar. 

Os destinatários da iniciativa são, sobretudo, dois: os intérpretes (principalmente as estrelas da música com muitos seguidores) e os serviços de streaming. Nos últimos anos, a pressão de quem faz música para que as plataformas passem a informar melhor os créditos de quem cria e produz as canções vêm dando frutos, e algumas das mais destacadas, como Spotify e Deezer, já fornecem algum tipo de dado sobre os profissionais envolvidos numa faixa — geralmente, o compositor e algum pouco mais. A indústria pede informação de melhor qualidade e a inclusão de dados sobre os músicos acompanhantes, técnicos de estúdio, engenheiros e outros profissionais raramente nomeados. 

“Não falo como produtor musical ou como profissional que fez carreira nos bastidores: falo como alguém que vê de perto o papel fundamental de compositores, técnicos e outros importantes elementos da indústria que, muitas vezes, não têm o reconhecimento devido. Dar o crédito a esses profissionais é o mínimo”, diz à UBC Harvey Mason Jr., presidente e diretor-executivo interino da Academia americana de Gravação. “Tivemos um resultado fantástico no último dia 15, com uma mobilização de artistas, técnicos, gravadoras, plataformas... Estamos seguros de que a demanda por crédito e reconhecimento vai muito além. É um movimento sem volta.”

De fato, uma pesquisa da hashtag #GiveCredit no Twitter, por exemplo, mostra que se trata de um imperativo que, diariamente, mobiliza milhares de pessoas. E muito além do mundo da música — também da fotografia, da moda e de outras carreiras apoiadas por uma massa de profissionais de bastidores. Para especialistas, a única maneira de ajudar a ampliar o mercado para essas pessoas, frequentemente na sombra, é reconhecer e deixar registrados seus nomes publicamente. 

“É uma demanda justa e prevista em lei. Que não seja atendida é outra coisa. Num mundo ideal, artistas e técnicos não deveriam pedir que a sua justa contribuição tivesse que ser reconhecida como se fosse um favor”, afirma o advogado especialista em direitos autorais Hughley Smith, dos Estados Unidos. “E, claro, o crédito é só uma parte do reconhecimento a que fazem jus os criadores, técnicos, produtores. É preciso remunerar melhor e não infringir seus direitos autorais. Nomear essas pessoas nas instâncias adequadas, como as plataformas, é um primeiro passo.”

A iniciativa é mundial e busca criar uma conscientização planetária sobre o problema da ausência de créditos e reconhecimento para os compositores e outros profissionais. Não há uma versão específica para o Brasil, mas se você, intérprete brasileiro, quiser apoiá-la, pode postar os nomes dos envolvidos numa faixa em suas redes sociais usando a hashtag #GiveCredit ou, em português, #DêoCrédito. Nunca é demais participar de uma mobilização justa e mundial.

Além disso, artistas nacionais podem — e devem — melhorar a identificação nas plataformas digitais dos profissionais envolvidos nas suas gravações. No Spotify e em outras, há campos para informar os nomes de intérpretes, produtores e compositores. Como a tarefa fica a cargo de quem cuida das contas dos artistas nas plataformas, é preciso que estas pessoas se conscientizem sobre a necessidade de melhorar os créditos. Além disso, em redes sociais, sites e outros locais online onde é possível incluir as fichas técnicas completas, a campanha global pede aos artistas que o façam. É bom para os profissionais e melhor para o mercado.

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