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O protagonismo da mulher no Grammy Latino 2022
Publicado em 21/11/2022

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Por Tulipa Ruiz*

O Latin Grammy é uma premiação internacional organizada pela Academia Latina de Gravação que contempla obras gravadas em espanhol ou português de qualquer lugar do mundo e que tenham sido lançadas na América Latina, na Península Ibérica ou nos Estados Unidos. Este ano, a 23ª edição do prêmio aconteceu no dia 17 de novembro, na Mandalay Bay Events Center, em Las Vegas, nos Estados Unidos.   

Esta é a segunda vez que venho para a premiação. A primeira foi com meu disco Dancê, vencedor na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, em 2016. Naquela época, pude perceber que ganhar um Grammy, além de ser uma das maiores chancelas da indústria fonográfica, é também uma vitória coletiva. Fui a primeira artista brasileira independente a ganhar a estatueta e isso prospectou toda uma cena, que passou a ter mais destaque na premiação. Isso acontece quando ganhamos um Grammy, a luz de um trabalho ilumina todo seu entorno. Inspira e movimenta a cadeia da música. 

Demorei um pouco também para perceber que esse destaque ia além do fortalecimento da cena independente. Que uma vitória feminina no cenário musical se fazia necessária para fortalecer o protagonismo da mulher dentro da indústria da música. Afinal, de acordo com uma pesquisa feita pela UBC, as mulheres receberam no ano passado apenas 9% do total distribuído em direitos autorais. Assim, qualquer transformação deste cenário deve acontecer sobretudo dentro da indústria da música, na abertura de espaços que celebrem e amplifiquem esse protagonismo.  

Fiquei muito emocionada com esta edição do prêmio. Desta vez, vim como autora, indicada na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa, com Baby 95, que está no álbum vencedor da categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira "Índigo Borboleta Anil", da maravilhosa Liniker. A música é uma parceria nossa com Tássia Reis e Mahmundi. Viemos todas para a premiação. Porque para nós é muito importante estarmos presente nesta cerimônia como autoras. Para fortalecermos os nossos trabalhos e para que outras possam estar aqui também. A noite da última quinta-feira (17) reuniu a força de muitas mulheres e a Academia homenageou a memória de Gal Costa e a trajetória de Rita Lee, artistas que vieram antes da gente e que abriram os caminhos para que chegássemos com nossas vozes e canetas até aqui. 


Liniker com o troféu (Foto: Bryan Steffy/Getty Images)

Foi da maior importância Liniker, com seu talento e representatividade, ganhar a categoria de Melhor Álbum de MPB. A primeira artista transgênero brasileira a ganhar o Grammy na história da música mundial, com seu talento e musicalidade incontestáveis. Há um novo cenário, novos corpos, novas vozes, novos sons, novos olhares. Novas escutas. Vibrei por todas as mulheres deste prêmio. Foi lindo ver Ludmilla com seu disco Numanice #2 ganhar a categoria de Melhor Álbum de Samba e Pagode. Ver Juçara Marçal, uma das artistas mais viscerais da música contemporânea sendo a única mulher indicada na categoria Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa, com seu disco Delta Estácio Blues, onde tenho a honra de estar presente como autora. 


Bala Desejo recebendo o gramofone (Foto: Bryan Steffy/Getty Images)

Vibrei por Bala Desejo, que tem na formação Dora Morelenbaum e Julia Mestre, com o prêmio de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo pelo álbum "Sim, Sim, Sim" e Marisa Monte, uma de nossas maiores autoras, ganhar com Melhor Canção com Vento Sardo. Que importante a presença de Iara Rennó, Marina Sena, Anitta, Luiza Sonza, Maiara e Maraísa neste Grammy. Fundamental também a presença de executivas da música na noite de ontem. Muitas plataformas e gravadoras representadas por mulheres. Juntas, estamos construindo um novo cenário. 

Viva a música brasileira! 

*cantora, compositora e ilustradora brasileira, vencedora do Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa em 2016 e indicada na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa neste ano, com Baby 95, faixa do álbum vencedor da categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira "Índigo Borboleta Anil", da Liniker.

 

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