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Aceleradoras musicais: estrada livre para chegar ao mercado
Publicado em: 23/11/2018

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Conheça projetos destinados a dar um empurrão a novos artistas da área, oferecendo soluções para o desenvolvimento, o empreendimento e a gestão

Por Roberto de Oliveira, do Rio

O sonho de todo artista é encontrar o caminho para entrar num circuito profissional que o leve à sustentabilidade financeira. Talento o músico brasileiro já mostrou que tem. Mas, neste mercado global e altamente tecnológico, é preciso mais. As aceleradoras musicais acabam sendo um empurrão na carreira de criadores iniciantes ou músicos independentes, que buscam orientação para aprender as demandas estratégicas e quase que obrigatórias deste novo mercado musical. Elas são uma das formas mais completas de obter acesso a informação e oportunidades, pois são coordenadas por pessoas que têm experiência tanto na área musical quanto na empresarial.

Iuri Freiberger, diretor de design estratégico da paulistana Rizoma Aceleradora de Projetos Culturais, explica que, diferentemente do que ocorre com uma incubadora, na qual o projeto pode existir apenas no papel ou estar em fase muito inicial, na aceleração ele já deve estar caminhando, de modo que os profissionais da mentoria possam oferecer soluções de gestão e desenvolvimento personalizadas para cada caso. Por “projeto”, entende-se uma nova banda, um CD, uma turnê, um festival... tudo o que se refere ao mercado da música. O autor da ideia, quando se junta à equipe de aceleração, contará com suporte técnico e, muitas vezes, material para pôr em prática o que planeja. “Geralmente, a aceleradora está lidando com um processo de fazer as coisas andarem mais rápido e serem mais eficientes. São oferecidos serviços e uma série de atividades para fazer com que o artista vá angariando novas pessoas na equipe e atinja novos patamares de mercado.”

Lab Sônica é um espaço coordenado pelo Instituto Oi Futuro, no Rio de Janeiro. Além das capacitações, quem é contemplado por um dos programas não paga pela aceleração e ainda pode usufruir da estrutura, montada para que artistas, músicos, produtores e gravadoras independentes realizem seus projetos. Derivado do Lab, o programa ASA (Arte Sônica Amplificada)foi criado para ampliar o acesso das mulheres à cadeia produtiva da música e do som. “Dentro da nossa atuação nas artes, identificamos esse setor, principalmente os bastidores dele, isto é, a área da produção e técnica, com um predomínio da atuação masculina muito forte”, diz Sabrina Candido,gerente de projetos do British Council, um dos parceiros do Oi Futuro no programa, que, nesta primeira edição, atende a 50 mulheres de todo o Estado do Rio de Janeiro, selecionadas por meio de chamada pública. (No final deste texto, veja como participar deste e de outros projetos de aceleração).

Criada há dois anos em São Paulo, a Acelerarte tem entre os fundadores Thiago Lobão, músico profissional com experiência corporativa. Por isso, a pegada de gestão das etapas relacionadas à produção e à distribuição de música é muito evidente no projeto. “A ideia é trazer o mundo do empreendedorismo para o dia a dia do músico e todos os profissionais que trabalham nessa órbita. A gente viu que no mercado tem muito conteúdo motivacional tentando incentivar o músico a buscar conhecimento sobre empreendedorismo, mas falta mesmo a prática de ferramentas, de comportamentos, de métodos, para que um cara que não tem conhecimento nenhum sobre empreendedorismo comece a entender sobre a prática empreendedora e exercê-la”, diz Thiago. 

O primeiro contato com a aceleradora musical paulista pode se dar com a participação nas oficinas ministradas mensalmente em São Paulo e em outros estados. A aceleração, segundo Sílvio Junqueira, outro sócio da Acelerarte, é feita com encontros semanais, num processo de mentoria personalizada, voltado para o desenvolvimento do plano de carreira. “Também atuamos como facilitadores e ponte de contato com diversas empresas e agentes profissionais atuantes no mercado. Conectamos e assessoramos os empreendedores artísticos na negociação junto aos investidores, e acompanhamos o artista ao longo da execução do seu plano”, diz Silvio.

Em Fortaleza, o Instituto Dragão do Mar é uma organização social que conta com o apoio do governo do Ceará para desenvolver o trabalho de grupos e artistas locais ou que morem no estado. Para isso, criaram a aceleradora Porto Dragãoconforme mostramos em maio, na revista UBC #36. A aceleradora oferece um pacote completo aos novos nomes da música cearense, inclusive uma parceria com o Sesc São Paulo para que possam ocupar outros palcos e se apresentar para outras plateias. Segundo Ivan Ferraro, coordenador da Porto Dragão, o projeto proporciona várias ferramentas e oportunidades para o artista desenvolver a carreira. “ São incentivos, apoio, formação, conexões, distribuição em canais digitais, várias coisas para que os artistas deem passos adiantados na carreira musical”, afirma.

Também no Nordeste, em Natal, a DoSol, organização não-governamental que trabalha com música e cultura, apoia desde 2001 novos artistas que queiram traçar uma trajetória vitoriosa. Os fundadores, produtores e músicos Anderson Foca e Ana Morena Tavares dizem que a aceleração dura, em média, seis meses, entre planejamento, pré-produção e a realização do trabalho. Recentemente, foi lançado pelo selo da aceleradora o artista Potyguara Bardo. “Fizemos tudo desde o começo”, diz Anderson Foca. “Arrumamos o repertório, revisamos as ideias e o conceito do disco, procuramos um produtor, fizemos campanha de vídeo e, quando saiu, veio o resultado prático”, completa Anderson.

 

COMO PARTICIPAR: 

As turmas do programa ASA são selecionadas por meio de chamada pública e podem fazer uso de equipamentos disponíveis no prédio de cinco andares do Lab Sônica, como estúdio para gravação, auditório e sala para reuniões. www.oifuturo.org.br/cultura/labsonica/

No Porto Dragão, cerca de 30 artistas participam da primeira edição do projeto e se inscreveram por meio de chamadas públicas. Portanto, o interessado em fazer parte da próxima turma deve acompanhar as notícias pelo site do Instituto Dragão do Mar:www.dragaodomar.org.br

Na DoSol, as primeiras atividades foram realizadas com investimento próprio, mas patrocínios como o que se deu através de programas de incentivo dos projetos Rumos do Itaú Cultural e Oi Futuro ajudaram a viabilizar a empreitada. http://dosol.com.br

Na Acelerarte, há uma cobrança pela aceleração, e os preços são adaptados para a realidade de cada artista, mediante avaliação de potencial, segundo um dos sócios. O site da aceleradora de artistas é http://acelerarte.com.br 

 

 

 

 

 

 


 

 



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