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11 dicas preciosas para produzir música
Publicado em: 28/02/2019

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Liminha, Dudu Borges, Mahmundi, Alexandre Kassin, Marcelo Fruet, Ruxell, Pablo Bispo, Sérgio Santos, Cabrera, Pedro Breder, Rodrigo Gorky, Rafael Hauck e Lucas Silveira dão lições práticas em vídeos exclusivos da UBC

Do Rio

Virou lugar-comum, mas nunca é demais repetir: na indústria musical contemporânea, todo mundo tem que saber produzir. Ou, pelo menos, ter noções fundamentais de produção. “É muito mais fácil trabalhar com um artista que chega aqui sabendo minimamente o que quer do que com aquele cru que acha que não é papel 'de artista' fazer qualquer coisa além de compor, cantar e tocar”, resume Lucas Silveira, um dos inúmeros grandes produtores atuais que a UBC entrevistou numa série de entrevistas em vídeo ao longo de 11 semanas (a última entrou no ar nesta quarta-feira, 27). Todas estão reunidas no nosso canal oficial no YouTube.

Desde o papel do produtor (“enxergar de cima várias coisas, traduzir a verdade do artista e emocionar quem vai consumir”, na definição de Cabrera; ou “desenhar som, gerir pessoas e ser psicólogo”, como brinca Lucas) a passos práticos para pôr a mão na massa, dicas preciosas estão contidas nos vídeos. Liminha, Dudu Borges, Mahmundi, Alexandre Kassin, Marcelo Fruet, Ruxell, Pablo Bispo e Sérgio Santos (os três últimos, do coletivo DogZ), Cabrera, Pedro Breder, Rodrigo Gorky, Rafael Hauck e, claro, Lucas Silveira são os mestres. E a mensagem é clara: o momento atual, com a facilidade da tecnologia e a mente aberta do público, é ideal, único, para imprimir uma marca. As centenas de bem-sucedidas produções deles e de bambas como Pupillo, Pedro Dash, Dan Valbusa, Umberto Tavares, Jefferson Junior, Mãozinha, entre muitíssimos outros, provam isso.

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Nós reunimos alguns dos principais pontos abordados nos vídeos. Desfrute e inspire-se!

  • Não vá sozinho e saiba ouvir: Ouvir, aqui, ganha um sentido mais amplo, ou seja, conhecer o mercado, o que se produz, mas também um sentido mais próximo: escutar e ter em conta a opinião dos outros, dos parceiros, quando decide arregaçar as mangas e produzir. 

    “Ouça música, mas não só aquela de que gosta. Ouça tudo”, ensina Mahmundi. E cerque-se de pessoas que possam contribuir: “Se está com gente que tem a mesma mentalidade, o mesmo pensamento, você vai muito mais longe”, diz Gorky. “O produtor sabe aonde quer chegar, mas há muitas ideias e percepções (alheias) que dão graça à música”, completa Kassin.

    “Saiba receber críticas, com humildade, mostre seu trabalho”, afirma Ruxell.

    “A importância real da música não é fazer marketing, não é fazer teu nome, não é te fazer virar o cara. É tocar o coração das pessoas”, diz Cabrera, uruguaio radicado em São Paulo que produz nomes como Eduardo Costa, Simone e Simaria, Gusttavo Lima e Hungria e Claudia Leitte.

  • Conheça a identidade do artista que está produzindo: “Não queira se sobressair. Favoreça o artista sempre. Tem canção que é voz e violão. Outras requerem produção trabalhada”, diz Sérgio Santos. “Entender para quem está produzindo é óbvio, senão tudo fica com a minha cara. Potencialize o artista, faça o disco com o jeito dele, some para dar certo, com a sua experiência e com o que você testou antes...”, completa Dudu Borges. 

    Saber colocar-se a serviço de um projeto maior é sempre a meta principal: “O produtor deve acelerar a sensibilidade do artista, ajudá-lo a encontrar seu caminho”, descreve Marcelo Fruet.

    E sem pressa: “Meu trabalho com o artista, na minha relação com produção musical, é trabalho de dez anos. Evoluir juntos, descobrir a narrativa juntos... Descobrir como o som bate no rádio, como bate digitalmente, como bate nas pessoas de mais idade...”, enumera Mahmundi.

    Para isso, é preciso ter química, ter feeling: “Tem que ter afinidade pessoal com o artista”, define Liminha, “senão, nada anda.”

  • Entenda bem qual é o alvo do projeto: “Se é audiovisual, se é TV, se é internet, muda completamente a feitura. Quando faço coisa muito comprimida para soar muito alto, para ouvir no celular, os graves têm que ser poucos e muito organizados. Coisa bem-sucedida em streaming tem que te pegar já na introdução...”, explica Kassin: “No YouTube, você perde o view se a introdução tiver mais de 25 segundos.”

    Para Liminha, a mudança na forma de consumir reverbera em tudo, até mesmo, potencialmente, na nossa fisiologia: “O cérebro humano está alterado (pelas novas tecnologias). Agora tem que ser o mais enxuto possível. As introduções das músicas, antes, eram enormes, para o locutor da rádio falar em cima, apresentar a música. Agora é direto, sintético, ágil”, compara um dos mais famosos produtores da história da música brasileira, cuja primeira produção assinada foi das Frenéticas (primeiro disco de ouro da Warner no Brasil) e que, de lá para cá, produziu 14 discos de Gilberto Gil, outros tantos de Lulu Santos, além de Ultraje a Rigor, Ira!, Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Lobão, Chico Science & Nação Zumbi, O Rappa, Cidade Negra, Skank, Jota Quest, Bebel Gilberto... “Perto de 200 discos”, orgulha-se.

  • Tenha em mente que a indústria é a melhor escola: “Ter um prazo a cumprir o faz chegar a um ponto de refinamento do ofício. Fazer só para você é fazer no seu tempo. Aperfeiçoar o ofício na velocidade que você deve ter depende da indústria”, pondera Kassin. “A música não é um dom divino e que só sai quando há inspiração dos céus. Não, cara, a música é artesanato e só sai se tu trabalhas. A música é um negócio: tens que aprender a administrar banda, aprender os direitos, aprender as dinâmicas. Tu estás fazendo coisa que vale dinheiro”, prega Lucas. 

    Liminha vai na mesma pegada: “Não precisa ficar anos estudando clássico e, depois, estudar jazz. Vá direto no que você quer.”

  • Tenha foco total e saiba fazer renúncias pessoais: “Isso eu li num livro, em Londres, uma vez: 'Para ser produtor, esqueça vida social, família e tudo. É um pouco verdade!”, ri Liminha. “Quem quer produzir tem que ter muita paciência, saber negociar ideias e se dedicar demais.”

  • Fuja dos clichês: “Evito muito a coisa do 'ah, vamos fazer parecido com isso aqui' porque deu certo antes. Não. É fundamental pensar sempre algo diferente, elementos brasileiros, teus, sem aceitar coisas de fora (automaticamente). A gente tem cultura muito rica: baião, arroxa, brega, tudo...”, descreve Rodrigo Gorky. 

    Opinião similar tem Pedro Breder, produtor de “Favela Chegou”, hit de Ludmilla e Anitta cujo clipe oficial está sendo lançado nesta quarta-feira (27): “Quer fazer algo para o mundo? Então não copie ninguém, não faça reggaeton porque sabe que está na moda. Ponha um funk, algo daqui, ponha sua cara.”

    Dudu Borges ensina que nada é ruim, tudo pode fazer sentido. “Se você sente que tem sentido, que é o teu caminho, então vai. Inspiração nos outros é legal, mas você só vai fazer algo diferente e relevante se conseguir colocar o que está dentro de você”, diz Dudu Borges, que começou a trabalhar com produção muito novo. “Tive o privilégio de ter família de músicos, cada um tocava um instrumento na igreja, minha mãe cantava... Um primo é dono de um estúdio em Campo Grande. Quando o estúdio dele foi para a rua da minha casa, eu tinha 12 anos, entrei pela primeira vez. Nunca mais saí.”

  • Seja 'chato' e perfeccionista: “Se você tem uma música muito boa e não achou o caminho, ou larga aquilo porque não era para ser ou vai tentando até achar. Meu diferencial acho que é tentar entregar o que a música quer. Uma balada pode virar algo extremamente dançante”, diz Gorky, que prega o trabalho duro e a capacidade de adaptação como elementos fundamentais para o êxito. “Não se substitui talento e imaginação por recortar e colar. Usar as mesmas bibliotecas de sons vai fazer tudo soar igual”, complementa Rafael Hauck. “Estou aprendendo devagar as coisas desta nova era, eu que venho de um tempo em que se cultuavam coisas como prêmio, gravadora, produção à antiga. Tem que trabalhar muito cada coisa, com tempo, com cuidado, não é só fazer uma produção cheia de elementos que choquem. As melhores coisas vão surgindo sutilmente e caminham no seu passo. Minha proposta pessoal é ser trilha sonora das coisas e das pessoas”, diz Mahmundi. 

  • Aprenda dos erros dos outros: “Você aprende com os acertos, mas ainda mais com os erros”, diz Gorky. “Às vezes, eu vejo um cara fazendo algo de que não gosto, que acho equivocado, mas deixo fazer, se não o cara vai ficar frustrado. O erro também ensina”, completa Liminha. 

  • Não reclame da impossibilidade; corra atrás: “Eu já reclamei de 'panelinha' e coisas assim. Mas hoje não é preciso validação de ninguém. Eu, quando criança, escrevia cartas para as gravadoras perguntando sobre a indústria. Nunca tive resposta. Em vez de pensar 'ah, é tão difícil', eu corri atrás”, diz Gorky. “'Ah, eu sou desafinado', 'eu não posso gravar', 'eu não tenho equipamentos ou recursos'... Não. Faz. Se você tem um telefone, dá para fazer.”

    Marcelo Fruet faz coro: “A tecnologia democratizou demais o acesso aos meios de produção. Não tem mais fórmula perfeita da época das grandes gravadoras”, ele pondera, aconselhando: faça seu caminho.

  • Não produza pensando em sucesso ou grana. Ambos são consequência: “Quem faz o hit é quem consome, não quem faz. Você não pode ter a expectativa de agradar a todo mundo. Passe a sua verdade. A música mais legal do mundo não agradará a todo mundo”, afirma Gorky. “Não faça música para ficar rico. Eu desfruto demais de ter as musicas, curtir... Dinheiro e fama são consequências do trabalho e do amor pela arte”, sentencia Cabrera. 

  • Saiba a hora de finalizar: É preciso ter sensibilidade para entender que se chegou ao resultado bom. “Entra aquele piano, todo mundo 'uau, é isso'... Não queira ir além e colocar mais coisas. Saber identificar o momento de parar a produção é muito importante. A boa produção é aquela que compreende o que pode acrescentar”, diz Rafael Hauck. “Não precisa ser a coisa mais difícil ou engenhosa do mundo. Boa música e boa letra às vezes garantem. Tem música que pede uma produção elaborada, mas outras ficam perfeitas em violão e voz”, opina Gorky, produtor desde os 18 anos. “Produção é coisa mágica, é um encanto poder chegar aos resultados certos.”

 

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