No

cias

Notícias

Mercado musical cresce 9,7% em 2018; Brasil é destaque
Publicado em: 02/04/2019

Imagem da notícia

Relatório Global da IFPI mostra incremento acelerado do streaming, além de 15,4% de expansão na receita com música no maior país da América Latina, região que mais avança percentualmente

Por Alessandro Soler, de Madri

A receita mundial com música gravada cresceu 9,7% ano passado, turbinada pelo streaming — que vai cumprindo todos os vaticínios e se tornando irreversivelmente a grande locomotiva do mercado fonográfico. A informação consta do Relatório Global de Música da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira (2). O setor de gravações musicais movimentou US$ 19,1 bilhões mundialmente, contra US$ 17,4 bilhões em 2017. Isso inclui os ganhos com streaming, vendas, direitos de execução pública de músicas gravadas e sincronização — mas não inclui, por exemplo, os direitos de execução pública de música ao vivo, entre outros.

Não só é um crescimento robusto em relação ao ano anterior como é o maior, percentualmente, desde o início da série histórica, em 1997. E corresponde, igualmente, ao quarto ano consecutivo de expansão do mercado global. 

O Brasil é um dos grandes destaques do relatório e ganhou análise própria. Com expansão de 15,4% na receita com música gravada — para atingir um total de US$ 298,8 milhões —, nosso país é o décimo maior mercado de música no planeta, atrás de Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Alemanha, França, Coreia do Sul, China, Austrália e Canadá. Ano passado, éramos os nonos, mas fomos ultrapassados por uma China em rápida expansão, que, pouco a pouco, vai deixando para trás um longo histórico de pirataria e desrespeito aos direitos autorais. 

Graças à expansão do Brasil, a América Latina, mais uma vez, foi a região líder em expansão percentual: 16,8% de crescimento. "Sem qualquer dúvida, sempre houve um enorme consumo de música no Brasil, é um país que tem a música no seu coração. Mas, devido a infrações de direitos autorais, isso nunca foi reconhecido. Quando o consumo começou a tomar a forma do streaming, os resultados passaram a impressionar", diz Afo Verde, presidente e diretor-executivo da Sony Music Latin Iberia.

"(O Brasil) foi um gigante adormecido por anos. Agora, está mais aberto e conectado, e estamos vendo mais colaborações entre artistas brasileiros e latinos e anglo-saxões. Pela primeira vez, sinto que o Brasil tem o potencial de se tornar um incrível exportador de música a partir do mundo latino", completa Jesús López, presidente e diretor-executivo da Universal Music Latin America & Iberian Peninsula.

Segundo o presidente da Pro-Música, Paulo Rosa, "o mercado brasileiro de música gravada vem seguindo a tendência iniciada em 2015 no mundo, de crescimento e recuperação das receitas fonográficas, influenciado de forma determinante pelo setor digital, cuja grande fonte de receita é o streaming de áudio e vídeos musicais. Apesar do cenário macroeconômico ainda delicado, com o lento processo de recuperação da economia brasileira, o streaming interativo, remunerado principalmente por subscrições pagas, mas também por publicidade, segue crescendo de forma consistente e contínua.”

A percepção geral de que CDs e downloads de música perdem terreno progressivamente se ampara nos números do relatório da IFPI. As vendas físicas caíram 10,1%— com algumas curiosidades, como aumentos robustos na Índia (21,2%) e na Coreia do Sul (28,8%) e mais discretos, mas sistemáticos, no Japão (2,3%), um país onde CDs, LPs, DVDs e cassetes ainda respondem por espantosos 71% do mercado. Já os downloads tiveram redução de 21,2% globalmente, enquanto o streaming cresceu 34% em apenas um ano. No Brasil, a soma de downloads e streaming já chega a 72,4% do do mercado. E o streaming, sozinho, gera US$ 207,8 milhões, ou 69,5% do total nacional. 

O streaming, sozinho, vai se aproximando da metade do mercado como um todo: em 2018, representou 46,8%. Somados, streaming e downloads alcançam no mundo todo US$ 11,2 bilhões, ou 58,9% do mercado. E nada menos do que 255 milhões de pessoas assinaram serviços de streaming pagos em 2018, o que dá uma ideia da força das plataformas que oferecem músicas nesse formato. 

Tanto que a própria IFPI, presidida pelo tenor espanhol Plácido Domingo, pede que as regras desse novo ambiente sejam justas para os criadores. “Precisamos assegurar que o ambiente correto para garantir que esse sucesso seja sustentável no futuro. Precisamos trabalhar para estabelecer um ecossistema musical saudável e aberto a todos, no qual a música seja valorizada e respeitada”, adverte Domingo .

Diretora-executiva da IFPI, Frances Hoore celebra a expansão do digital que, pouco a pouco, vai fazendo com que os números globais de venda de música se recuperem do tombo grave sofrido há pouco mais de uma década: “A música se converteu verdadeiramente em algo global, de uma forma nunca antes imaginada. Da band boy sul-coreana BTS capturando corações de Seul ao Rio de Janeiro, ao cantor colombiano de reggaeton J Balvin, que emerge na elite pop global, a língua já não é uma barreira. São quatro anos consecutivos de crescimento, quatro anos em que a América Latina tem a maior expansão regional, liderada pelo Brasil. Mas há muito o que fazer para que esses dados positivos continuem. Seguimos em nossa campanha para que a música seja valorizada e remunerada como se deve e para que os direitos de autor sejam respeitados.”

Resumo

>> Expansão global de 9,7% no mercado global de música gravada, para US$ 19,1 bilhões 

>> Receita total do mercado brasileiro totaliza US$ 298,8 milhões

>> Crescimento de 15,4% no mercado brasileiro, o que fez a América Latina se expandir 16,8%, maior percentual do mundo

>> Queda de 10,1% nas vendas físicas

>> Expansão de 34% no streaming, que, com uma fatia de 46,8% do mercado, se aproxima da metade de tudo o que é gerado na música gravada

>> Expansão de 46% no streaming no Brasil, para atingir US$ 207,8 milhões, ou 69,5% do mercado

>> 255 milhões de pessoas pagaram por serviços de streaming ano passado

LEIA MAIS: O relatório completo (em inglês)


 

 



Voltar