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José Eboli, da nova gravadora Onda: 'chegou ao fim a crise do setor'
Publicado em: 03/09/2019

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Ex-presidente da Sony Music e da Universal no Brasil, ele se junta a Gustavo Pereira e Wilson Anastácio (Live Eventos) num projeto incialmente focado no sertanejo e que atuará com gravação, distribuição física e digital, além de marketing

De Brasília

Se o investimento em novos empreendimentos pode ser traduzido como a confiança num setor, é lógico supor que que a famosa crise das gravadoras parece mesmo ter ficado no passado. Pelo menos é isso que creem José Eboli (ex-presidente da Sony Music e da Universal no Brasil) e Gustavo Pereira e Wilson Anastácio (da Live Eventos), que acabam de abrir em São Paulo a Onda Musical, uma nova empresa discográfica que atuará também como distribuidor (físico e digital) e assessoria de marketing, e que nasce focada em artistas do mundo sertanejo “abandonados” pelas majors, como descreve Eboli.

“Creio que sim, chegou ao fim a crise do setor. Guga, Wilsinho e eu identificamos que havia um grupo muito grande de artistas consolidados abandonados pelas majors, mas que ainda mantêm um público cativo muito forte. Há uma facilidade de se criar uma nova empresa no setor, dada a sinergia com a estrutura atual da Live Eventos, que já possui uma gravadora de música eletrônica, uma editora, dois estúdios e uma equipe de aproximadamente 40 pessoas cuidando da carreira de artistas como Edson & Hudson, Chitãozinho & Xororó e Zezé di Camargo & Luciano, dentre outros”, ele conta. 

José Eboli

Para o executivo, o crescimento contínuo do streaming deu ao setor da gravação e distribuição de música uma previsibilidade tal que permite desenhar uma estrutura estável — a princípio, enxuta — e competir com as grandes em busca dessa turma sem contrato (ou prestes a ficar sem vínculo com as outras). Um DVD ao vivo de Edson & Hudson é o primeiro grande lançamento do grupo, que, apesar do foco inicial no sertanejo, não descarta se expandir para outros estilos com o tempo. 

“Nós queremos oferecer ao artista, de qualquer repertório ou estágio na carreira, uma alternativa interessante entre uma major e um distribuidor digital. Em outras palavras, proporcionar ao mesmo tempo um trabalho focado, transparente e personalizado, baseado na minha experiência de mercado em multinacionais, e uma equipe jovem, antenada naquilo de mais moderno que esteja acontecendo nesse meio. Teremos mais um estúdio moderno que poderá ser utilizado pelos nossos artistas.”

Previsivelmente, o novo movimento do setor deve aumentar a competição entre as gravadoras, dando margem à oferta de contratos mais vantajosos que, em última análise, tendem a beneficiar os artistas. “Da nossa parte, não haverá guerra. Jáem relação às majors, é bem provável (risos). Há muito dinheiro na mesa.Estamos buscando estabelecer essa nova filosofia com os pés no chão. Um degrau de cada vez”, diz Eboli. 

Na avaliação dele, a principal diferença entre o cenário atual e a chamada era de ouro das grandes gravadoras, antes dos anos 2000, é a atitude mais independente do artista — o que, por si, ajuda a esquentar a competição entre as gravadoras.

Wilson Anastácio e Gustavo Pereira

“Atualmente, o artista não depende de um contrato com uma multinacional para alavancar sua carreira. Ele tem a opção de criar sua própria música e distribuí-la através das várias integradoras (distribuidores) que fazem essa ponte com as plataformas digitais. Claro que a orientação, o investimento e o poder das gravadoras são importantes. Porém, elas têm uma limitação em relação às suas prioridades, e fica difícil manter o foco e o compromisso com novos talentos. Costumo dizer que, neste mercado atual, dificilmente artistas como Djavan e Gonzaguinha, só para citar alguns, teriam suas carreiras desenvolvidas como aconteceram. Hoje, as gravadoras têm muita pressa”, analisa o executivo, que, no momento, não embarcará na quase generalizada onda 360 — “isso requer investimento físico e financeiro — e se centrará em gravação, distribuição e um “marketing apropriado”, como ele define.


 

 



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