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Seis perguntas para Gerson King Combo
Publicado em: 06/12/2019

Mestre do soul nacional celebra 60 anos de carreira profissional, 50 do lançamento do primeiro álbum, apresentando seu primeiro DVD gravado ao vivo

Do Rio

Foto de David Obadia

Não se pode dissociar a cena funk/soul brasileira de Gerson King Combo. Um dos nomes seminais dos bailes black setentistas, um movimento que influenciou gerações e ajudou a empoderar o subúrbio e seus grandes artistas, o carioca Gérson Rodrigues Côrtes comemora este ano 60 anos de sua estreia profissional — como dublador, ator, dançarino e cantor nas rádios Tupi e Mayrink Veiga, do Rio — e os 50 do lançamento do seu primeiro álbum completo, já com seu nome na capa.

Não que ele tenha percorrido sua longa e frutífera trajetória sempre solo. Ligado ao embrião da Banda Black Rio, membro da extinta banda Fórmula 7, líder da União Black e, há uma década, acompanhado pela Supergroove, King Combo — cujo nome é uma homenagem ao grupo de soul americano King Curtis Combo — participou da consolidação de um trabalho coletivo. Próximo de Wilson Simonal, Carlos Dafé, Oberdan Magalhães e da cena soul americana (chegou a conhecer Stevie Wonder e James Brown, ganhando inclusive o apelido de “James Brown brasileiro”), tem inúmeras parcerias com Pedrinho da Luz, Djalma ou com o irmão Getúlio Côrtes (autor de “Negro Gato”).

Agora, se prepara para dar um passo a mais na carreira, ao lançar seu primeiro DVD gravado ao vivo. Recheado de sucessos, como “Uma Chance” (faixa do DVD apresentada como single em novembro), terá entrega por etapas, como ele conta nesta entrevista.

O que o motivou a lançar este DVD agora?

Motivação nunca me faltou. Vai ser meu primeiro DVD. Nunca saiu nada ao vivo meu. O show (que o baseou) eu fiz com a minha banda, a Supergroove, há dez anos, no Teatro Rival (Rio). Está lindo. Nos próximos meses, soltaremos mais um ou dois singles antes de sair o DVD completo.

Além de sucessos de outras fases, haverá algum material inédito?

No DVD, canto músicas de praticamente todas as minhas fases. Tem as mais conhecidas, dos discos lançados nos anos 70, como “Mandamento Black”, “Funk Brother Soul” e “Jingle Black” e, também, músicas dos anos 2002 e 2009, como “Deixe Sair o Suor” e “Soul da Paz”, homenagens ao meu irmão e participação de Carlos Dafé, além de algumas surpresas.

Qual foi o marco zero da sua carreira?

Meu primeiro compacto, ainda como Gerson Côrtes, foi lançado em 1967, pelo selo Equipe, com duas músicas compostas pelo Getúlio Côrtes, “Quente” e “Centauro”, ainda na onda da Jovem Guarda. Em 1969, gravei o primeiro álbum, “Brazilian Soul”, como Gerson Combo e a Turma do Soul, lançado no ano seguinte. Mas o marco zero, mesmo, foi bem antes, nas rádios Mayrink Veiga e Tupi, em 1959. Foi quando comecei profissionalmente.

O cantor e compositor numa foto sem datar, nos anos 1970. Arquivo pessoal

 

O que mudou na cena black de lá para cá?

O movimento forte foi nos anos 70, quando gravei “Mandamentos Black”, que se tornou um hino e marcou minha carreira musical para sempre. Hoje tem pouca gente fazendo soul no Brasil. Mas tem o rap, tem outros estilos que também nos representam.

Muitos novos artistas afrobrasileiros têm ajudado a renovar as sonoridades da nossa música com uma nova atitude de orgulho e empoderamento. Você se orgulha de ter sido precursor e inspirador de muitos deles?

Confesso que, modéstia à parte, influenciei toda uma geração black no Brasil, com meu estilo de ser, meu visual, meu cabelo afro. Meu lema era e ainda é: o negro é lindo, é força e poder. Gosto e sempre participo de projetos e shows com a nova geração da black music nacional, toco no país inteiro com bandas locais da nova geração, como as ótimas Black Mantra e Brazil Soul Power.

Tem muitas músicas inéditas esperando para gravação?

Estou compondo muito atualmente, com parceiros novos e também sozinho. Já tenho músicas prontas, e algumas vou lançar em 2020. Uma delas é “Vem Comigo a Madureira”, cujo tema inspirador já está no título. É meu bairro, onde nasci e morei praticamente a vida toda. Diversos temas do meu cotidiano me inspiram. Estou sempre escrevendo uma letra ou cantarolando uma melodia.

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