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Pitch: como emplacar sua música numa playlist editorial no streaming
Publicado em: 04/02/2021

Maior plataforma exclusivamente musical do mundo, Spotify tem a ferramenta mais amigável para o próprio artista “vender” seu lançamento a um editor; confira dicas importantes para ter sucesso na tarefa

Por Alessandro Soler, de Madri

Maior serviço de streaming musical do mundo, o Spotify fechou 2020 com 345 milhões de usuários mensais ativos e 155 milhões de assinantes premium, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4). Não tem muito jeito: você, músico, intérprete e criador musical que quer ser ouvido pelas massas, precisa disputar a atenção de toda essa gente. A melhor maneira de fazer isso é tentar emplacar sua música numa das muitas playlists editoriais, administradas por sobrecarregados curadores que tentam não se afogar em meio a uns 40 mil uploads diários de novas músicas no mundo todo. A boa notícia é que há um método para isso: fazer um pitch certeiro. 

Trata-se de uma maneira concisa e eficiente de “vender” a sua música, fazê-la se destacar entre as demais. O Spotify é a plataforma com o melhor sistema de pitch que o próprio músico pode pilotar. É através da ferramenta Spotify For Artists, na qual tem-se acesso ainda a dados de audiência, gráficos sobre performance, músicas mais ouvidas, cidades e países onde seu trabalho é mais procurado... 

Muitos artistas têm contratos com gravadoras ou distribuidoras digitais que fazem para eles essa ponte com os editores das playlists. Mas, seja você um criador totalmente independente, seja alguém interessado em participar desse tipo de tomada de decisões, estas dicas são bastante úteis: 

Como funciona? 

Idealmente, 15 dias antes do lançamento, a agregadora, distribuidora ou gravadora faz o upload da faixa para o sistema dos players e "agenda" a canção. Neste momento, a música fica disponível para pitch. Ao entrar no Spotify For Artists, o artista receberá uma mensagem na home dizendo que já é possível fazer o pitch para os editores. Atenção: embora você possa escrever as informações em português, toda a interface e os campos do Spotify For Artists estão em inglês.

Qual o próximo passo?

O responsável pelo pitch – outra vez, o próprio artista ou a distribuidora/gravadora – deve fazê-lo com a maior antecedência possível, não deixe para a última hora arriscando-se, assim, a ficar de fora das playlists. Preencha todos os campos com a maior fidelidade de dados. Inclua uma boa foto do seu single para chamar a atenção não só do editor como do ouvinte. Nunca deixe a cidade/país em branco, pois os editores podem filtrar por localidade para escutar as músicas.

Confira alguns dos campos abaixo:

Foco no gênero

Escolher com exatidão o gênero musical ao qual pertence a música é fundamental, pois isso tornará mais fácil a tarefa dos editores de decidir para qual playlist a sua música vai. Melhor ainda é exemplificar uma ou duas playlists editoriais nas quais você crê que sua música poderia encaixar. 

É claro que todos os artistas querem suas músicas nas maiores playlists do Spotify, como a Top Brasil, mas, para entrar nesse tipo de playlist, é preciso ter uma performance mínima necessária, que é acompanhada diariamente pelos editores. Portanto, estude bem a variedade de playlists de entrada, especialmente as de Moods and Moments, é nelas que você deve focar a princípio.

Rapidez e eficácia

Há um campo bastante importante (na imagem abaixo) no qual você deve fazer um resumo atrativo daquele lançamento, com detalhes sobre a estratégia de difusão. Seja conciso e eficaz, nada de fazer o editor perder muito tempo. Ao mesmo tempo, procure ser criativo e chamar a atenção.

 

Brasil ou mundo?

Caso você tenha o objetivo de entrar no mercado internacional, é altamente recomendável fazer o pitch em inglês, já que todos os editores do mundo terão acesso a ele. Leia-se: oportunidade aumentada de ir parar em playlists bombadas em diversos países. 

E os outros players?

Os outros players, como Deezer, Amazon Music, Apple e Tidal, ainda não têm uma ferramenta de pitch tão automatizada voltada para os próprios artistas como a do Spotify, pelo menos não no Brasil. A Deezer, como já mostramos aqui no site, até dispõe de um campo para o pitch feito pelo artista em sua ferramenta Backstage, mas é internacional, o que talvez dificulte um pouco a inserção para os que não falam inglês ou não têm interesse em disputar as playlists globais. 

Então, a nossa sugestão é que os artistas reunam a maior quantidade de informação sobre o lançamento, com a maior antecedência possível, e enviem para a sua distribuidora, agregadora ou gravadora. São essas empresas que têm um contato um contato mais estreito com os playeres e podem fazer as suas sugestões semanalmente. 

Recomendações automatizadas

São muitos os indícios de que, futuramente, as playlists automáticas, ou seja, aquelas que não passam por curadores, deverão ganhar espaço em todas as plataformas. Em algumas delas, como Deezer e o próprio Spotify, já há playlists não editoriais nas quais algumas canções patrocinadas ganham mais destaque que outras – é uma tendência. 

Como noticiou o site Music Business Worldwide, o Spotify busca maneiras novas de disseminar conteúdos através de algoritmos e outras tecnologias automatizadas, mantendo-os – literalmente – na mente dos ouvintes. Na semana passada, eles receberam a confirmação nos Estados Unidos da patente de um sistema de reconhecimento de voz e detecção de estados mentais dos usuários a partir dos seus hábitos de navegação (não está claro se navegação só no próprio Spotify ou em outros aplicativos e no navegador), para a sugestão de cada vez mais conteúdos – de canções isoladas a playlists, de anúncios a podcasts. 

No caso do sistema de reconhecimento de voz, os robôs detectariam coisas como a idade, o tom de voz (feliz, deprimido, cansado, estressado) do usuário, seu gênero e até mesmo seu sotaque, além de ruídos de fundo (uma festa? Um escritório? Uma tarde na praia?) para, cruzadas com o histórico de audições, oferecer “a experiência mais personalizada jamais imaginada.” Seria o início de uma nova era de fruição musical quase sem intermediação humana. Enquanto ela não chega, as playlists editoriais continuam a ter um papel essencial na escalada de uma canção até o sucesso.

LEIA MAIS: As tendências do streaming e de outros segmentos do mercado musical em 2021

 

 

 




 


 

 



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