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Setor digital cresce 51% mas ainda responde por só 10% do mercado de música
Publicado em: 15/11/2017

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Indústria musical arrecada € 8 bi em 2016, salto de quase 7%, mostra relatório global da Cisac

De Paris*

Com expansão de 51% em 2016, o setor de música digital esteve, mais uma vez, entre os que apresentaram maior crescimento em relação ao ano anterior. A razão foi a forte adesão de consumidores ao redor do mundo a serviços pagos de streaming. Contudo, a receita com os meios digitais alcançou unicamente 10,4% dos € 8 bilhões arrecadados pela indústria, uma prova bem gráfica de um problema que vem sendo denunciado há anos por especialistas, artistas e administradores de repertório: ainda prevalecem os baixos pagamentos pelos streams. Televisão e rádio continuam firmes na liderança da arrecadação mundialmente, com nada menos do que 42,8% do total, seguidos por áreas de arrecadação como shows e background (incluídos aqui usos em discotecas, bares, academias de ginástica e cinemas, por exemplo). Na Europa, especificamente, estes dois últimos usos passaram a TV e o rádio pela primeira vez na história, num retrato da nova era dos meios de comunicação — de consumo menos concentrado, mais pulverizado.

Seja qual for a fonte de receitas, porém, uma coisa é certa: a indústria, depois dos anos sombrios da pirataria e do desconcerto diante da expansão do uso sem remuneração no início da era digital, experimenta outra vez anos consecutivos de crescimento. No ano passado, a arrecadação total subiu 6,8%. E, para se ter uma ideia do tamanho desse mercado, os € 8 bilhões gerados no meio musical respondem por 87% dos € 9,2 bilhões arrecadados pela Cisac em todos os setores de que cuida, que incluem ainda audiovisual, espetáculos de teatro, literatura e artes visuais. 

Os dados fazem parte do Relatório Global de Arrecadação 2017, que a Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (Cisac), uma entidade que reúne 239 associações globais de gestão coletiva de direitos autorais em diversas áreas artísticas, divulgou nesta quarta-feira (15). Os dados que compõem o documento se referem a 123 países e territórios. “O relatório deste ano mostra que o sistema de gestão coletiva de direitos autorais continua robusto, bem-sucedido e pronto para mais expansão. Os grandes e tradicionais fluxos de receitas, liderados pelas transmissões (de TV e rádio) e pelos shows, permanecem estáveis e fortes. Os ganhos com direitos autorais no mundo digital também continuam subindo”, resume Gadi Oron, diretor-geral da Cisac.

Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão, México e França foram, em milhões de euros, os países que lideraram a expansão do mercado digital. Já o crescimento do setor de shows e background foi puxado por Japão, Estados Unidos, Espanha e Itália. O Brasil não apareceu nos números preliminares divulgados pela Cisac, mas um dos pontos-chave do relatório mostra que decisões do Superior Tribunal de Justiça no ano passado, reafirmando o streaming como uma modalidade de execução pública, ajudaram a triplicar os ganhos com o setor digital.

A América Latina como um todo teve expansão total de 1,3% no mercado de música, alcançando um € 557 milhões em arrecadação. Alguns dos números do nosso país podem ser acessados aqui, no Relatório Anual da UBC, divulgado em agosto passado, que mostram que somente a nossa associação distribuiu mais de R$ 368 milhões a 156 mil titulares.

Nos Estados Unidos sozinhos, a arrecadação da indústria musical alcançou € 1,76 bilhão (ou US$ 2,1 bilhões). E o crescimento do setor digital foi impressionante: aumento de 80% em relação ao ano anterior, tendo como base principalmente o streaming pago. Isso lança uma luz sobre a necessidade de melhorar os pagamentos aos titulares da música, principalmente em serviços baseados em conteúdos subidos por seus próprios usuários (como o YouTube), muitos dos quais resistentes à ideia de que são responsáveis pelas publicações e precisam pagar pelo uso.

“Grandes indústrias que usam conteúdos criativos estão colocando para baixo o valor das nossas obras. Uma ilustração simples disso é a 'transferência de valor' do mercado digital (a distorção que concentra os ganhos nas mãos dos grandes players do setor, em vez de distribuí-los aos criadores). Grandes plataformas, como o YouTube, estão pagando meras migalhas aos autores. Não há maior prioridade (para a Cisac) do que pedir aos governos soluções para esse problema”, conclui o músico francês Jean-Michel Jarre, presidente da confederação.

 

*Com informações da Cisac

 

 



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