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Reppolho lança sexto álbum autoral em parceria com Ednaldo Lima
Publicado em: 06/02/2018

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Percussionista fundamental da MPB, o pernambucano passeia pela musicalidade brasileira, do ijexá ao carimbó e aos ritmos urbanos

Por Bruno Albertim, do Recife

Reppolho & Ednaldo Lima não se encontravam havia quase duas décadas. O resultado não poderia ser outro. Deu disco. “Saí do Recife em 1979, para fazer minha carreira no Brasil. Quando Ednaldo veio, há pouco, tentar a carreira musical no Rio, resolvemos comemorar nossas origens musicais”, conta Reppolho, um dos percussionistas fundamentais na trajetória de vários astros da MPB, que acaba de lançar, de forma independente, seu sexto álbum autoral, agora assinado em parceria com o antigo parceiro do movimento black e dos festivais universitários de música do Recife dos anos 70. “Este é um disco em que estão muito presentes nossas origens e influências musicais africanas e ameríndias”, resume ele, sobre as seis faixas de “Reppolho & Ednaldo Lima Juntos”.

Em 1979, de passagem pelo Recife, Johnny Alf ficou boquiaberto quando viu Givaldo José dos Santos, o Reppolho, elevar sua percussão a uma potência inimaginada. Aos 23 anos, foi convocado para incorporar seus instrumentos à cozinha de bateria tocada com vassourinhas na banda do papa da bossa nova. Dali em diante, Reppolho tocaria com nomes capazes de encher uma enciclopédia da MPB: Carmem Costa, Jorge Mautner, Zezé Gonzaga, Adelaide Chioso e Eliana, Kleiton e Kledir, Wanderléa, Teresinha de Jesus, As Frenéticas, Ednardo, Robertinho de Recife, Gilberto Gil, Gal Costa, Milton Nascimento, Nana Caymmi, Paulo Moura, João Bosco, Blitz, Luiz Melodia, Tim Maia, Elza Soares, Pepeu Gomes, Baby do Brasil, Rita Ribeiro, Elba Ramalho e Moraes Moreira, com quem tocou nos quase últimos 20 anos. “Apenas com Gilberto Gil fiquei sete anos. Um período em que participei de discos fundamentais, como 'Raça Humana'”.

Mas quando, no final do ano passado, encontrou-se por acaso num estúdio com o antigo parceiro recifense, as origens falaram mais alto. “Juntamos três músicas daquele tempo e mais três inéditas, uma forma de celebrar nossas raízes”. Nas inéditas estão “Eternamente Clara” (Ednaldo Lima e Alcedo Codeceira), em homenagem a Clara Nunes; “Na Sombra do Baobá”, de Ednaldo Lima, um tributo ao próprio parceiro Reppolho, e a faixa “Pra Naná”, de Reppolho e Ednaldo, em reverência
ao mestre Naná Vasconcelos.

A musicalidade passeia dos ijexás da cultura nagô aos carimbós do Pará. “O carimbó era uma dança indígena dos tupinambás, depois modificada com a influência da música dos orixás, que, aliás, surgiram aqui, porque os ritmos afro-brasileiros são mesmo afro-brasileiros, desenvolvidos aqui”, diz ele, autor de um “Dicionário Ilustrado de Ritmos e Instrumentos da Percussão Brasileira”. Mas tudo sob o filtro dos autores. “As músicas são temperadas pelo samba de partido alto, da black music e do soul. Trabalho minha essência pernambucana, mas, ao mesmo tempo, sou um brasileiro, da cultura urbana”, diz ele. Disponível nas principais plataformas digitais, o álbum “Reppolho & Ednaldo Lima Juntos” pode também ter uma cópia física solicitada pelo e-mail gj.santos07@gmail.com.br.
 


 

 



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