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Zé Ricardo, imparável
Publicado em: 19/02/2018

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Produtor de trilhas sonoras de sucesso para o cinema e do palco Sunset do Rock in Rio, ele fala sobre seu trabalho no RioContentMarket, o maior encontro de negócios musicais da América Latina

Por Fabiane Pereira, do Rio

Desde os 16 anos, Zé Ricardo vive da música e para a música. Cada vez mais em evidência por sua atuação como curador do palco Sunset do Rock in Rio, o cantor, compositor e músico consegue amarrar as várias pontas do show business com precisão ímpar. No momento, ele se prepara para mais um desafio: estar a frente da curadoria musical da oitava edição do RioContentMarket, o maior encontro de negócios da América Latina entre produtores independentes, profissionais de televisão e mídias digitais, cujas atividades são direcionadas ao mercado e aos negócios e que, pela primeira vez, abrirá seus portões também para os fãs e o público em geral entre os dias 3 e 8 de abril, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.

Uma das missões de Zé Ricardo como curador musical do evento é montar um elenco de palestrantes de nível global, além de promover a interação entre profissionais da música e experiências únicas e transformadoras para o público final. Pode parecer fácil, mas, levando em consideração que o mercado da música passa por constantes mudanças desde a virada do milênio e que a cena independente, no Brasil, ganhou muita força na última década, esta tarefa torna-se um quebra-cabeça complexo.

Zé é conhecido por promover uma curadoria (quase) artesanal. Há anos tem surpreendido o público do Rock in Rio com encontros inusitados e momentos musicais inesquecíveis. Apesar da diferença entre os eventos, é isso que o público pode esperar dele no RioContentMarket, que passa a integrar o guarda-chuva de um evento maior, o Rio2C - Rio Creative Conference. Zé acredita que esta edição será marcante.

“O Rio Creative Conference foi um grande divisor de águas na parte audiovisual desde que foi criado, há sete anos. Acredito que, para o mercado da música, será igualmente importante, porque, a partir deste ano e graças ao Rio2C, ele vai abraçar a música e a inovação. O projeto de música tem algumas etapas. A intenção é que os painéis e as palestras sejam interessantes e dissequem os assuntos mais práticos, como a produção e a promoção da música. Vamos trazer, por exemplo, o Geoff Emerick, técnico de som inglês conhecido pelos seus trabalhos com os Beatles, para falar sobre o áudio daquela época, bem como outros nomes importantes do mercado mundial. Os painéis e as palestras têm basicamente esta função: fazer com que os artistas saiam de lá com mais conteúdo”, explica. “A segunda etapa do projeto é a criação de uma comissão de referência da música. Esta comissão vai convidar artistas para participar de showcases, promoções e outras atividades. Os nomes serão divulgados em breve. Nos dias 7 e 8 de abril, vamos dedicar nosso espaço aos festivais de música independente no Brasil, porque tem muita coisa acontecendo nesta área”, conta Zé Ricardo.

Além do seu bem-sucedido trabalho como curador, Zé também tem em seu currículo inúmeras trilhas sonoras de curtas e longas-metragens assinadas a partir da retomada do cinema brasileiro. “A primeira coisa que fiz para cinema foi a trilha de um curta-metragem da Janaína Diniz com roteiro do Rui Guerra chamado 'Posta Restante'. Meu segundo contato com este mercado, e, talvez, um dos mais importantes, veio através de um convite da Sara Silveira, uma das lendas da produção do cinema nacional, para eu participar da trilha do filme 'Garotas do ABC', dirigido pelo Carlos Reichenbach. Ele foi a um show que eu fiz em São Paulo, junto com a Sara, e, depois de assistir a esta apresentação, resolveu transformar uma das cenas do filme que seria um show de forró num baile black. Eu não assinei a trilha do filme, mas fiz algumas músicas para esse longa. A primeira trilha sonora de um longa que eu assinei foi a do filme 'Loucas Pra Casar', com Ingrid Guimarães, Tatá Werneck e Suzy Pires como protagonistas, e foi um grande sucesso de bilheteria. Depois disso, eu já assinei várias outras trilhas, inclusive a do filme 'Minha Mãe É uma Peça 2', protagonizado pelo Paulo Gustavo. Compor para cinema é um sonho, e neste momento estou finalizando outras duas trilhas”, conta Zé Ricardo.

Em 2018 haverá outra edição do Rock in Rio em Lisboa, e o produtor já está preparando encontros musicais que prometem ficar, mais uma vez, na memória afetiva do público. Zé costuma dizer que, se um artista quer estar no line-up de seus projetos, ele precisa sair do casulo. “Isso significa ter coragem. Os artistas que sabem aliar coragem e inteligência conseguem ir longe com seus trabalhos. Para tocar no Sunset basta ter consistência, plano de carreira, acrescentar algo à música brasileira... O panorama de escolhas do artista para o Sunset passa necessariamente por três princípios básicos: atualizar o público, provocá-lo com shows que causem estranheza e revelar novos nomes”, ele dá a dica.

Em Lisboa, nos dias 23, 24, 19 e 30 de junho, Zé pretende promover encontros únicos com uma mistura de festas, DJs e shows. “Teremos um novo palco no evento, e o foco principal são atrações portuguesas. Estamos preparando uma experiência nova para o Rock in Rio Lisboa 2018. Nesta terça-feira (20) vamos divulgar a programação tanto lá quanto aqui”, antecipa.


 

 



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