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Seis dicas para fazer sua música circular
Publicado em: 26/03/2018

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Do bom uso do YouTube aos shows em casa, passando pela presença em feiras, saiba como garantir que suas criações cheguem até o público

De São Paulo

Parabéns, você fez e gravou uma música espetacular. 1) Você é um(a) artista antissistema e antimercado, não está disposto(a) a sujeitar sua criação a julgamentos e vai manter seu tesouro muito bem guardado e protegido, talvez à espera da glória póstuma. Fim da história.

Ou... 2) Você está louco(a) para colocar sua obra para circular e atingir o maior número possível de pessoas usando a internet como arma. É para você que escrevemos esta reportagem.

Um dos principais desafios de quem compõe e grava de forma independente é precisamente levar suas criações até as pessoas. Seis dicas práticas podem ajudá-lo(a) a conseguir boa visibilidade, seja no mundo virtual, seja na vida “real”. Confira:

 

1 – Faça shows on-line: No passado, as grandes casas de shows estavam para o mundo das apresentações como as majors estavam para o da gravação/distribuição de discos. Sem conseguir convencer os exigentes curadores dos melhores palcos (ou, em alguns casos, até pagar para estrear numa casa bombada, como fez um cantor de sucesso nos anos 1980, no Rio de Janeiro), era difícil reverberar.

Pois, entre muitas outras vantagens para os independentes, a internet trouxe também uma forma interessante (ainda que de pequena escala) para levar sua apresentação às massas: os shows on-line. Um dos aplicativos mais promissores nesse mundo é o stageit.com, que permite a transmissão de uma apresentação em alta resolução e com bons recursos e ferramentas. Tudo feito literalmente pelo seu laptop, da sala de casa, da garagem ou de onde você quiser (e tiver um bom sinal de internet).

Nos shows transmitidos pelo site, é comum o público fazer comentários aos artistas, pedir músicas e, não menos importante: clicar para fazer contribuições monetárias. A monetização instantânea através dessas ferramentas é uma forma tão ascendente de lucrar com uma criação que especialistas a colocam no rol das grandes revoluções que o mundo da música vai viver a médio prazo, um tema que a Revista UBC abordou no ano passado.

O velho Facebook também é um palco privilegiado para shows on-line, ainda mais se você tiver uma boa base de seguidores e curtidas. A ferramenta de “live” (ou de transmissões ao vivo) da rede social permite a transmissão em alta definição e com espaço de interação para os fãs. Só ainda não há o botão de contribuições financeiras, algo que, sem dúvida, deve pintar por ali no futuro próximo.

2 – Use o YouTube a seu favor: É comum os criadores de música se queixarem de violações de direitos autorais através do maior portal de vídeos do planeta. Uma vez que sua obra cai na rede, vira peixe (pequeno) para muitos tubarões. Mas o uso inteligente do YouTube pode se converter em um aliado importante para a disseminação da sua música e, claro, para fazer dinheiro.

Publicar seus singles com regularidade e frequência faz com que você figure nas listas de novidades e últimas publicações. O efeito viral, porém, só se dará se o que você subir ao portal tiver qualidade. Por isso, mesmo se não houver grana para um clipe caprichado, use uma ferramenta grátis para dar um acabamento bacana a uma versão mais simples. Um aplicativo chamado TapSlide, disponível na plataforma Android, permite trabalhar foto, dando-lhes movimento. Há ferramentas de edição bem simples e acessíveis por quem não entende nada disso. O resultado fica interessante. E, se você mantiver um canal no YouTube, poderá monetizar com os anúncios que aparecem nos seus clipes, como a gente já explicou em detalhes numa reportagem da Revista UBC.

Outra solução que vem sendo muito usada ultimamente — e que, de quebra, é útil por permitir ao público aprender a cantar a música — são os lyric videos, ou vídeos com as letras. Em geral, não há outras imagens além das letras, que, se colocadas com bossa e bom gosto, ficam bem atrativas. Um bom site para fazer isso é o Animaker, que roda em qualquer um dos principais sistemas (Mac OS, Windows, Linux) e tem recursos de animação, centenas de tipografias e cores, além de efeitos variados. Fica bonito e com cara bem profissional.

3 – Mantenha sua página no SoundCloud atualizada: Em tempos de domínio de serviços de streaming como Spotify, Pandora, Apple Music ou Deezer, pode parecer vintage falar do alemão SoundCloud, uma rede social surgida há dez anos (uma enormidade em termos de era digital) na qual os próprios artistas sobem seus singles e têm uma grande interação com os fãs. Mas, apesar dos problemas financeiros recentemente noticiados, o SoundCloud continua a gozar de grande status entre os músicos e criadores, porque tem ferramentas que poucas outras plataformas oferecem, como listas que colocam, lado a lado, artistas superpop e outros pouco conhecidos, bem como um sistema de busca que também traz, bem posicionados, resultados de artistas com poucos seguidores. Em outras palavras: dá visibilidade aos pequenos e permite que façam circular sua música.

Além disso, o SoundCloud tem uma base de dados de 10 milhões de artistas globalmente e mais de 170 milhões de acessos mensalmente. Números suculentos para quem quer tentar emplacar o próximo hit da última semana.

4 – Fique de olho em feiras de música: As feiras têm proliferado no país, seguindo moldes de grandes e consagrados eventos internacionais como o Midem, realizado anualmente no balneário francês de Cannes há mais de meio século. O barato desses eventos é que eles colocam em contato os artistas e quem pode contratá-los, sendo, portanto, uma grande oportunidade para fazer networking e espalhar seu projeto musical. A banda potiguar Far From Alaska sabe bem disso. Em 2016, eles saíram da superfeira francesa com o prêmio de banda revelação no projeto Midem Artist Accelerator (clique e veja como participar), o que sem dúvida lhes deu uma visibilidade internacional sem paralelos. A próxima edição será em junho e ainda dá tempo de se inscrever no Accelerator.

No Brasil há eventos variados com essa pegada. O próximo grande será no Rio de Janeiro na próxima semana. O Rio2C também terá pitchings (eventos de venda de projetos a produtores), pocket shows e outras oportunidades para artistas independentes. Outros vindouros dos quais ainda é possível participar são a Feira da Música, de 15 a 18 de agosto, em Fortaleza, o Music Trends que acontece de 24 a 26 de outubro n Rio ou a SIM (Semana Internacional de Música) São Paulo, prevista para dezembro. As inscrições para esta última abrem em maio, fique ligado. Clique aqui e confira outras feiras e festivais de que você pode participar ainda este ano.

5 — Apareça em agregadores de shows: Se já tem frequentado o circuito de apresentações, ainda que pequenas, na sua cidade, torne isso visível. Um aplicativo que tem crescido muito é o Bands in Town, que faz um bom levantamento das datas musicais nas cidades e pode ser alimentado pelos próprios artistas ou promotores dos eventos. Um build-in do aplicativo ligado ao Facebook permite a divulgação automática da data para sua base de fãs na rede social.

O Airbnb, o famoso portal de aluguel de apartamentos e casas de temporada baseado em economia colaborativa, também quer militar nesse mundo promissor e já anunciou o lançamento de uma ferramenta para agregar shows, mas sempre com um toque diferente. O Airbnb Concerts, que ainda está sendo desenvolvido e já vem sendo testado em modo beta, é uma extensão das “experiências” do Airbnb mas focada exclusivamente em música e em locais incomuns. Por exemplo, uma catedral antiga e abandonada na Europa, uma adega, um hangar de zepelim. Ou uma supergaragem que você tiver. Assim como acontece com as experiências, a equipe do site vai aprovar antecipadamente o local e a proposta antes de os ingressos serem postos à venda. O Airbnb ficará com 20% da renda.

6 — Divulgue-se, e faça-o com profissionalismo: Apelar à boa e velha imprensa na hora de fazer sua música circular não é, nem de longe, uma má ideia. Jornais, revistas, blogs, sites... a curadoria de bons jornalistas dá uma chancela inigualável, mas o difícil é chegar até eles sem ajuda de uma assessoria. Um aplicativo chamado presskit.to pretende dar uma mãozinha na elaboração de um kit de imprensa bem acabado, com vídeos, músicas, material escrito e visual de primeira reunidos, o que sempre contribui para fazer o administrador do site e do blog ou o editor da publicação parar para ler seu material. O uso da ferramenta é intuitivo, você vai arrastando os arquivos e, no final, o kit aparece montadinho.

Para saber o que deve ter um press kit matador, releia uma matéria do nosso site sobre o tema. Depois, use uma lista de alguns dos principais sites que divulgam música, também já publicada por nós com direito a contatos dos responsáveis pelas páginas, e mande seu material.


 

 



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