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YouTube e Facebook reforçam busca de conteúdos sem licença em lives
Publicado em 13/04/2020

Multiplicação das transmissões ao vivo faz gigantes da rede reverem estratégia; só em março, Facebook teve mais de 8,5 bilhões delas

Do Rio

A multiplicação das lives será, talvez, uma das principais lembranças que ficarão desta pandemia. O impacto a longo prazo é potencialmente grande, inclusive para o futuro da TV, mas por ora o que se sabe é que as ferramentas automatizadas das principais plataformas pelas quais se fazem as transmissões ao vivo, YouTube e Facebook/Instagram, não privilegiam normalmente esse tipo de conteúdo na hora de buscar infrações de direitos autorais. Em outras palavras: muitas vezes, o uso de conteúdos sem licença durante as lives não é flagrado.

Com o grande aumento na audiência desse tipo de conteúdo durante a pandemia, o YouTube disse à UBC que está reforçando sua principal ferramenta do tipo, o ContentID, para uma atuação mais precisa na análise de lives.

“Temporariamente, ativamos salvaguardas para promover revisões mais apuradas de ações de copyrights em lives”, descreveu Rubens Levy, gerente de parcerias tecnológicas do megaportal na América Latina. “Como sempre, nós esperamos que todo o conteúdo das lives esteja de acordo com as regras da comunidade do YouTube e seus termos de serviço. Se você acredita que a sua propriedade protegida por copyright está sendo transmitida no YouTube sem autorização, pode submeter uma notificação de infração de conteúdo.”

O ContentID, como já mostramos aqui no site, é um sistema de varredura automática de fonogramas, capaz de comparar milhões de registros e encontrar coincidências mínimas, de poucos segundos. Caso o uso flagrado seja sem licença, o titular recebe uma notificação e pode escolher entre derrubar o conteúdo infrator ou monetizar com ele. 

No Facebook/Instagram, como a UBC apurou, há diversos casos de derrubadas de conteúdos de lives estes dias. Um portal de cursos on-line teve uma transmissão interrompida quando seu anfitrião reproduziu peças publicitárias recentes que continham canções da gravadora Sony. DJs também vêm se queixando do bloqueio de lives que contêm canções tocadas por eles sem licença. Até mesmo um abaixo-assinado virtual foi criado por um deles pedindo ao Facebook para relaxar as regras de uso de conteúdos protegidos durante a quarentena. O gigante das redes sociais não respondeu ao pedido. 

Segundo o Facebook, somente entre a decretação de pandemia pela OMS, no início de março, e o dia 27 do mesmo mês houve nada menos do que 8,5 bilhões de transmissões ao vivo. De acordo com o Think With Google, os usuários do YouTube passam 4 vezes mais tempo assistindo a conteúdos em tempo real do que assistindo vídeos on demand. Ainda de acordo com o YT, canais que transmitem ao vivo pelo menos uma vez por semana apresentam um crescimento de 40% em novos inscritos e de 70% no tempo de exibição do canal. Ou seja, as lives são muitíssimas estes dias, e a audiência delas, ainda mais. Mas Levy, do YouTube, reforça que a derrubada do conteúdo não autorizado pode se dar mesmo depois que termina a transmissão ao vivo:

“(Com o ContentID), ocorre identificação de conteúdo (inclusive composições), baseado nos dados de música, mesmo com semelhança parcial. Temos pedido aos canais para reclamarem o conteúdo como 'web asset', o que permite distintas reivindicações de ContentID por parceiros baseados nos dados de música. Normalmente estas lives têm muitas músicas. Pode demorar um pouco, mas acaba acontecendo (de o conteúdo ser identificado e bloqueado).”

E o pagamento de execução pública?

Como explicamos há alguns dias, essa é uma questão sem uma resposta clara. Em tese, segundo o Ecad, as licenças de YouTube, Facebook e Instagram cobrem também as lives, o que permitira aos titulares das canções tocadas durante as transmissões receber direitos de execução pública. Ocorre que, para isso, as plataformas deveriam enviar listas ao Ecad com as obras usadas, o que nenhuma delas vem fazendo por carecerem de formulários e sistemas automáticos através dos quais os produtores das lives poderiam enviar essa informação. As plataformas não informaram se estão desenvolvendo uma solução para facilitar o envio desses relatórios.


 

 



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