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Morre, aos 95 anos, o cartunista Lan
Publicado em 05/11/2020

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Criador do acervo de 80 caricaturas de mestres da música brasileira mantido pela Casa UBC, ele estava internado havia dois meses em Petrópolis (RJ), onde vivia

Do Rio 

Foto de Carol Lancelloti

Morreu na noite de quarta-feira (4), aos 95 anos, o cartunista Lan. Um dos mais conhecidos criadores de caricaturas e tirinhas satíricas da imprensa brasileira, ele estava internado havia dois meses no Hospital Beneficência Portuguesa, em Petrópolis, cidade da região serrana do Rio onde vivia. Vítima de pneumonia e infecção urinária, o artista não resistiu à saúda debilitada. Deixa um legado de grandes criações e uma coleção de 80 caricaturas de gênios da música brasileira mantida pela Casa UBC, no Centro do Rio, onde as paredes estão forradas com o traço tão peculiar do desenhista. 

Há três anos, antes da inauguração do espaço cultural da UBC, uma equipe da associação levou as caricaturas, restauradas, até Petrópolis para que Lan pudesse vê-las. Emocionado, ele disse sentir muita saudade do tempo em que as criou. E, tocado pela homenagem, citou alguns versos da canção “Quando Eu Me Chamar Saudade”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme De Britto: “Se alguém quiser fazer por mim/Que faça agora/Depois que eu me chamar saudade/Quero preces e nada mais.”

VEJA MAIS: Lan recebe a visita da UBC e revê suas caricaturas décadas depois

A morte de Lan, artista nascido na Itália e batizado como Lanfranco Aldo, criado no Uruguai e radicado havia décadas no Brasil – onde fez carreira no “Jornal do Brasil” e no jornal “O Globo” – motivou homenagens de colegas de profissão e de figuras da música. “O querido, genial, inacreditável, engraçadíssimo e brasileiríssimo ítalo-uruguaio-carioca Lan se foi. O mestre agora é memória. E desenho, milhares deles. Dia triste pra caramba”, escreveu numa rede social o também cartunista Aroeira.

Ziraldo, outro grande colega de profissão de Lan, se emocionou: "Era um gênio. A velocidade em que ele pegava a caricatura do objeto era impressionante. Agora, a maior qualidade dele era a generosidade humana. O Lan era a pessoa mais generosa que eu conheci na minha vida."

Gilberto Gil, um dos retratados na coleção de caricaturas do desenhista, comentou à UBC: "Dei um suspiro profundo quando pensei em dizer algo sobre o último suspiro de Lan. Lembrei-me das tantas vezes em que perdi a respiração tomado pelo encantamento diante de seus desenhos. Lan e seus pulmões tão cheios de ar e arte. Aqui seguimos respirando com ele."

A cantora e compositora Leiloca, das Frenéticas, foi outra a homenageá-lo: “Lan, quanto talento! Que honra sua capa no nosso disco (uma homenagem a Lamartine Babo, um dos compositores que ele já havia caricaturado). Até nisso você foi craque: se mudou pro‘astral’ no Dia Nacional da Cultura (celebrado neste 5 de novembro)!”.

Presidente da UBC, Paulo Sérgio Valle dedicou palavras carinhosas ao criador do belo acervo mantido pela associação, maior coleção individual de obras de Lan: “É um acervo que conta a história da música brasileira, uma joia única. Lan apaixonou-se pelo Rio, e o Rio apaixonou-se por Lan”, sentenciou.

O corpo do cartunista foi enterrado na tarde desta quinta-feira, no Cemitério de Itaipava, em Petrópolis.

VEJA MAIS: Algumas das caricaturas de Lan que integram o acervo da UBC

Ary Barroso

Beth Carvalho

Cartola

Dolores Duran

Gilberto Gil

Heitor Villa-Lobos

Maysa

Milton Nascimento

 

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