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No Brasil e no mundo, mercado de música gravada cresce forte em 2023
Publicado em 21/03/2024

Relatórios da Pro-Música e da IFPI, divulgados nesta quinta (21), mostram o peso absoluto no streaming para a força da indústria

De São Paulo

O mercado da música gravada no país teve em 2023 seu sétimo ano seguido de crescimento, alcançando R$ 2,864 bilhões, alta de 13,4% em relação a 2022. O streaming, sozinho, respondeu por 87% das receitas, mostrando seu peso absoluto no faturamento com a música gravada. O bom desempenho da indústria local colocou o Brasil em nono lugar no ranking mundial dos maiores mercados — e o segundo que mais cresceu no top 10, à frente do Canadá (+12,2%) e atrás só da China (+25,9%).

Estes e outros números foram divulgados nesta quinta-feira (21), em relatórios da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) e da Pro-Música Brasil, a associação da indústria fonográfica nacional, e incluem diversos outros dados sobre direitos conexos e sincronização que mostram um setor claramente aquecido.

Considerando apenas as vendas digitais e físicas, o mercado brasileiro cresceu 14,5%, com faturamento de R$ 2,5 bilhões em 2023. A arrecadação de direitos conexos de execução pública para produtores, intérpretes e músicos somou R$ 336 milhões, alta de 4% na comparação com o ano anterior. Já as receitas de sincronização de músicas em trilhas sonoras de produções audiovisuais alcançaram R$ 14 milhões um valor 87% maior que o de 2022.

Lá fora, as receitas globais de música gravada também cresceram, mas a uma taxa menor que a do Brasil: alta de 10,2% em 2023, totalizando US$ 28,6 bilhões (ou R$ 142,4 bilhões, pelo câmbio de hoje). O grande impulso foi o crescimento de assinantes pagos de streaming, segundo a IFPI.

“Os números de 2023 do mercado fonográfico brasileiro continuam a apresentar crescimento acima da média mundial divulgada pelo IFPI em Londres. O Brasil cresce 13,4%, comparado a 10,2% de incremento no mercado mundial. É assim há pelo sete anos consecutivos, refletindo principalmente a consolidação do streaming como modelo de distribuição musical dominante, tanto em nosso país como em todos os mercados de música do planeta”, disse Paulo Rosa, presidente da Pro-Música.

O desempenho exuberante do Brasil ajudou a tornar a América Latina, segundo o IFPI, a segunda região de maior crescimento mundial (+19,4%), atrás apenas da África Subsaariana (+24,7%), que vive um verdadeiro boom fonográfico puxado por mercados como África do Sul e Nigéria.

Em todos os casos, um grande fator de impulso ao crescimento foi a proliferação das assinaturas premium do streaming. No Brasil, contas pagas em plataformas como Spotify, Deezer, Apple Music, YouTube Music e outras tiveram uma subida notável: 21,9% em apenas um ano. O número de assinantes pagos totalizou 22,5 milhões, um recorde histórico. Se somarmos os assinantes freemium, o número de usuários com contas em plataformas de streaming no nosso país supera os 50 milhões.

No mundo, as receitas de streaming por assinatura cresceram 11,2% e representaram quase metade (48,9%) do mercado global. Em 2023, o número de assinaturas pagas de serviços de streaming de música ultrapassou os 500 milhões pela primeira vez, e existem agora mais de 667 milhões de utilizadores de contas de assinatura paga.

“Apesar dos bons resultados até o momento, o setor se preocupa com o uso de ferramentas robotizadas para criação de streams falsos, tipo de 'impulsionamento' que constitui prática ilegal e fraudulenta, e os impactos negativos que o uso de Inteligência Artificial Generativa podem vir a causar no ecossistema do mercado de música gravada”, avaliou Rosa, mencionando alguns dos principais desafios para a indústria musical atualmente.

Longe do segmento digital, as vendas físicas no Brasil, apesar de alcançarem apenas 0,6% do total do mercado, tiveram aumento de 35,2% em apenas um ano e atingiram R$ 16 milhões, maior valor desde 2018. Os discos de vinil respondem, sozinhos, por R$ 11 milhões. As receitas com download, em queda há vários anos, somaram R$ 4 milhões.

Outro dado importante levantado pela Pro-Música é a presença maciça da música nacional entre as mais tocadas do streaming. Em 2023, 93,5% do top 200 das mais executadas nas plataformas foram canções criadas no nosso país, uma característica que difere o mercado brasileiro da maioria dos outros mundialmente. O peso do sertanejo é avassalador, respondendo pela grande maioria das primeiras colocadas, com presença, bem atrás, também do funk e do pop. 

LEIA MAIS: O relatório da Pro-Música na íntegra

LEIA MAIS: Outros detalhes sobre o relatório da IFPI (em inglês)


 

 



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