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Paulo Sérgio Valle é o novo presidente da UBC
Publicado em: 31/03/2017

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Diretoria eleita em assembleia na última quinta-feira liderará nossa associação num momento de acelerada transformação no mercado e no ofício de criação musical

Do Rio*

A UBC já tem uma nova diretoria, uma equipe que vai liderar a maior associação de gestão coletiva do país em seu salto para o futuro – o futuro da criação musical e de um mercado em acelerada transformação. E o nosso diretor presidente, eleito na Assembleia Geral da última quinta-feira (30), é o carioca Paulo Sérgio Valle, que, aos 76 anos, inicia uma nova etapa em sua conhecida trajetória de defesa dos direitos autorais e da valorização do ofício de criador musical. Com mais de 800 canções gravadas, uma sólida e duradoura parceria com o irmão, Marcos Valle, e trabalhos inúmeros em universos tão variados quanto a publicidade e a literatura, Paulo Sérgio afirma não ter fugido à responsabilidade de contribuir ativamente, mais uma vez, com o necessário debate sobre o nosso papel, o papel dos compositores, num contexto de incertezas e oportunidades.

Nesta entrevista, o nosso novo diretor presidente explica por que decidiu participar das eleições, fala sobre a importância da proteção aos direitos autorais e comenta algumas das grandes mudanças pelas quais a UBC está passando. Ao final do texto, confira quem são os integrantes da diretoria que representará nossos mais de 23 mil associados pelos próximos três anos.
 

Você fez parte da diretoria da UBC nas décadas de 1990 e 2000. Como é voltar agora, sendo eleito presidente, cargo que já foi ocupado por grandes compositores da nossa música?

Paulo Sérgio Valle: É um retorno inesperado. Eu já tinha decidido, até pela minha idade, ficar meio aposentado, compondo e escrevendo livros. Veio o convite (para integrar a chapa), e eu achei que não podia faltar a essa responsabilidade. Foi quase uma obrigação aceitar. E tenho consciência do desafio, exatamente pelos grandes presidentes que a UBC já teve. Sobretudo o Fernando Brant, que era muito amigo meu e que foi um presidente notável. Espero estar à altura das pessoas formidáveis que já passaram por esse cargo.

 

Em que momento sentiu que deveria participar ativamente deste momento da UBC?

Sou um compositor profissional, tenho mais 800 músicas gravadas, faço parte da nossa sociedade há muito tempo, desde 1989. Mas não aceitei o convite de supetão. Algumas pessoas conversaram comigo, e confesso que no início disse não, por conta da enorme responsabilidade. Mas depois pensei: não tenho o direito de dizer não. É preciso assumir um papel de defesa (dos criadores), tomar partido, posicionar-se, por meus colegas compositores e pelos demais artistas da música. Se houve o convite (para a candidatura), não posso dizer não. Por isso aceitei.

 

A valorização dos direitos autorais é um dos pilares da UBC. Como enxerga essa postura?

Os direitos autorais, sobretudo os de execução pública, são, mais do que nunca, fundamentais para o nosso ofício. Antigamente, a maior parte da arrecadação vinha do (direito) fonomecânico, da venda de discos. O mercado mudou demais, praticamente não se vendem mais discos, a maneira de executar música é outra. Não sei se essa mudança foi para pior ou melhor. O que importa é saber se adaptar, estar atento às novas formas de apresentação, venda e consumo de música. A música é a vida do compositor profissional. Se ele não for remunerado, como vai viver? Há um risco real de enfraquecimento, senão desaparição, do compositor autônomo, aquele que unicamente compõe. Os serviços de streaming, que remuneram tão mal, alegam propiciar uma boa exposição ao artista, que poderia, então, ganhar algum dinheiro com shows. Mas e quem não toca, quem não se apresenta? Se esse pensamento prevalecer, será um duro golpe ao compositor autônomo, que precisa dispor de sua ociosidade criativa. Em outras palavras, ter tempo para criar. Na UBC, vamos defender o compositor. E lutar para garantir, a ele e aos demais integrantes da cadeia musical, os músicos, os intérpretes, uma remuneração justa.

 

A UBC está passando por importantes mudanças, começando pela mudança da sede nacional, agora no mês de abril. Como vê a nossa associação hoje e nos próximos anos?

O mundo vem avançando numa velocidade muito grande, e a UBC tem que acompanhar. O mundo da música é mais veloz ainda. Agora estou diretor-presidente da UBC, mas tenho todos os outros diretores e a equipe da UBC comigo. Os assuntos todos sempre serão discutido abertamente, visando à evolução da nossa associação. Nisso, tenho dois papéis. Como compositor, quanto mais a UBC evoluir, melhor para mim. Como presidente, a satisfação também é muito grande porque vai atender aos interesses e às necessidades de todos os associados. Sei que a UBC vai acompanhar muito bem essas mudanças.

 

Sua carreira fala por si: a diversidade de parceiros, de estilos, é uma de suas principais marcas. Qual o papel de uma entidade como a UBC no estímulo à diversidade da nossa música?

Nossa entidade tem que apreciar qualquer música, estimulá-la, fomentá-la. Não há música boa ou ruim de acordo com o estilo. Todos os estilos são importantes para a UBC, e creio ser simbólico ter um diretor presidente que não tem preconceito com nenhum deles. Na minha carreira eu sempre entendi isso. Comecei na bossa nova, que é uma música tida como elitista, nunca teve grande apelo popular. Mas sempre ambicionei chegar ao grande público, e foi algo que aconteceu naturalmente. De repente comecei a ser procurado por certas pessoas que produziam artistas mais populares e que acharam que eu teria condições de trabalhar com outros tipos de música. Por exemplo, o maestro Eduardo Lages me perguntou uma vez se eu não gostaria de fazer música para o Roberto Carlos com ele. Eduardo, embora maestro do Roberto, nunca tinha feito música para ele. É muito difícil gravar com o Roberto. Pensei: vamos experimentar. E acabei gravando cerca de vinte músicas com o Roberto, que é um artista tanto de elite quanto popular. Na UBC, esta vai ser nossa marca: todos os estilos, todas as músicas, toda a diversidade.

*Com informações de José Alsanne
 

A nova diretoria

Diretor Presidente: Paulo Sergio Kostenbader Valle (Paulo Sergio Valle)
Diretor Superintendente: Abel Ferreira da Silva (Abel Silva)
Diretor Secretário: Antonio Cícero Correia Lima (Antonio Cicero)
Diretor Administrativo Financeiro: Aloysio Pinheiro Reis (Aloysio Reis)
Diretor de Comunicação e Assistência Social: Ronaldo Bastos Ribeiro (Ronaldo Bastos)
Diretora Vogal: Sandra Cristina Fredrico de Sá (Sandra de Sá)
Diretor Vogal: Manoel Nenzinho Pinto (Manoel Pinto)

 

Conselho Fiscal

Geraldo Viana de Lacerda (Geraldo Vianna)
Edmundo Rosa Souto (Edmundo Souto)
Emmanuel Goes Boavista (Manno Goes)

 

Suplentes:

Frederico Guilherme do Rego Falcão (Fred Falcão)
Sueli Correa Costa (Sueli Costa)
Elias Muniz Sobrinho (Elias Muniz)


 

 



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