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YouTube tem nova regra de monetização em conteúdos infantis
Publicado em: 04/11/2019

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Anúncios personalizados em vídeos para os pequenos serão extintos, o que deve impactar renda de youtubers mirins

Do Rio

Em pouco mais de três meses, o YouTube anunciou uma série de mudanças no seu sistema de monetização que levantaram dúvidas entre os usuários. Primeiro foi o endurecimento das regras relacionadas às disputas de titularidade das canções; depois, o fim da monetização para trechos de músicas considerados “curtos” pela plataforma. O passo mais recente é o fim da possibilidade de ganhar dinheiro com anúncios personalizados em conteúdos destinados a crianças. Era um movimento esperado, exigido por autoridades dos Estados Unidos e que, como define o portal do conglomerado Google, visa a “proteger as crianças e a sua privacidade”.

Quase certamente, ao ser um tema alheio à privacidade infantil, nada muda no que toca ao pagamento de execução pública pelas músicas usadas nos vídeos infantis. A questão, entretanto, não está totalmente clara. Procurados pela UBC ao longo de uma semana, o YouTube (no Brasil e nos EUA) e sua assessoria de imprensa enviaram apenas comunicados genéricos e não responderam às perguntas específicas sobre os direitos autorais. Entretanto, o acordo assinado com o Ecad e a Ubem (União Brasileira das Editoras Musicais) em abril do ano passado, e que pôs fim a anos de inadimplência do YouTube, permite antever a postura do portal. O documento não contempla exceção para canções infantis ou usadas em conteúdos para crianças. Portanto, sem ferir esse acordo, a plataforma não deve mudar sua política de pagamento de direitos autorais.

O mesmo não ocorrerá, como dito, para a monetização. A nova regra impõe uma política mais restrita na coleta de dados de navegação. Muitas vezes, o conglomerado do Google usa esse tipo de informação — uma busca que foi feita, uma compra ou tentativa de compra, o histórico de vídeos vistos ou conteúdos lidos etc. — para oferecer anúncios personalizados ao usuário. Isso já não ocorrerá, e só devem entrar nos vídeos infantis anúncios esporádicos e genéricos, o que deve afetar a monetização dos seus criadores, já que estes ficam com parte dos ganhos relacionados à publicidade. Entre esses criadores, não há apenas elaboradores de conteúdos profissionais mas, por exemplo, crianças que comentam videogames ou testam brinquedos, youtubers mirins ou com programação voltada para os pequenos, entre vários outros casos.

“Sabemos que essas mudanças terão um impacto comercial considerável nas crianças e famílias de criadores que produzem conteúdos maravilhosos e negócios bem-sucedidos na nossa plataforma. Por isso, vamos dar aos criadores afetados pelas alterações um prazo de quatro meses para se adaptarem, antes que essas novidades entrem em vigor no Youtube.com”, informa a plataforma num comunicado publicado em setembro e assinado por Susan Wojcicki, diretora-executiva global do YouTube. Portanto, o fim da monetização é previsto para janeiro de 2020. “Sabemos que o processo não será fácil para alguns criadores, e temos o compromisso de apoiá-los nessa transição, oferecendo recursos para ajudá-los a compreender as mudanças.”

Como compensação, a plataforma anunciou a criação de um fundo de US$ 100 milhões para investir em “vídeos originais e bem-bolados para crianças”, tanto no YouTube como no YouTube Kids, uma plataforma paralela para conteúdos infantis na qual o conglomerado vem apostando. Não ficou claro como o dinheiro será usado.

Foi por pressão da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos que a nova regra foi anunciada. O organismo exigia a adequação da plataforma a uma lei de proteção à privacidade infantil daquele país. A partir de janeiro, sempre que subir um vídeo, seu autor deverá responder se o conteúdo é destinado a crianças. Um sistema de inteligência artificial baseado em algoritmo também fará varreduras nos conteúdos a fim de encontrar vídeos com foco em crianças ou personagens infantis, programas infantis famosos, personagens de animações, músicas ou histórias infantis etc. Comentários e curtidas já não estarão disponíveis em vídeos que encaixem nesses casos.

Desde setembro, compositores e titulares que denunciarem manualmente o uso indevido de uma música sua num vídeo qualquer só podem exigir parte dos ganhos com publicidade no portal caso não se trate de um "trecho curto" — o exemplo posto pela própria plataforma é de algo como cinco segundos ou menos. A denúncia manual é aquela feita por uma pessoa clicando no botão “Denunciar”. 

Mas, hoje em dia, grande parte dos problemas de uso indevido é detectada por uma ferramenta automatizada chamada ContentID. Grandes canais de televisão, estúdios de cinema, editoras, gravadoras, distribuidores digitais, em resumo, grandes clientes (são nove mil no mundo todo), já dispõem desse serviço baseado em algoritmo. Tal ferramenta não mudou e continua a detectar qualquer tipo de uso, mantendo as três opções atualmente disponíveis: comonetização, derrubada ou acompanhar o uso sem autorização. 

Nada mudou no pagamento de direitos de execução pública na ocasião. 


 

 



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