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Estudo mostra que indústria criativa pode liderar recuperação
Publicado em: 28/01/2021

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Âmbito do trabalho é a Europa, mas conclusões podem se aplicar a regiões igualmente impactadas pela pandemia, como a América Latina

De Bruxelas* e Rio

Um estudo realizado pela consultora EY por encargo do Gesac (Grupo Europeu de Sociedades de Autores e Compositores), e divulgado nesta terça-feira (26), mostrou que a música sofreu uma fortíssima queda de 75% nas suas receitas no continente europeu desde o início da pandemia de Covid-19; já o setor de artes cênicas e interpretativas despencou ainda mais: 90% do dinheiro que costuma gerar simplesmente evaporou. A boa notícia: vários dados encontrados pelo trabalho mostram que as indústrias culturais e criativas — música, cinema, publicidade, televisão, videogames, artes visuais e várias outras — são parte fundamental da saída para a maior desaceleração econômica súbita que o mundo vive em décadas. 

Na Europa, a cultura responde por 4,4% do PIB — contra 2,64% no Brasil, segundo a Secretaria Especial da Cultura —, cresce mais rápido que os outros setores (2,6% de expansão média desde 2013, contra 2% da economia como um todo) e emprega 7,6 milhões de pessoas, duas vezes mais pessoas que as indústrias automobilística e de telecomunicações somadas. Em 2019, foram € 643 bilhões gerados naquele continente. A queda durante a pandemia foi de € 199 bilhões, € 55 bilhões só na música e nas artes cênicas.

Além disso, o trabalho descobriu o que já se podia perceber empiricamente: shows, peças de teatro e cinema foram ainda mais duramente impactados que turismo, restaurantes e outros serviços. Apostando na importância e no dinamismo do setor cultural, os autores concluem que governos devem investir na cultura para liderar a recuperação. 

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Representantes das indústrias culturais e criativas organizaram, a convite do Gesac, um comitê para pressionar parlamentares e outras autoridades europeias a atuar para proteger essas atividades vitais. O grupo é liderado pelo embaixador cultural Jean-Michel Jarre, ex-presidente da Cisac (Confederação das Sociedades de Autores e Compositores). “A cultura se tornou um bem escasso, estamos sofrendo por isso. Ao mesmo tempo, os europeus podem sentir como nunca antes o profundo valor da arte e seu poder de nos unir. O estudo reflete essa realidade, traduz em números o sofrimento e oferece instruções muito claras para buscarmos uma solução”, afirmou Jarre. 

Presidente do Gesac e diretor-executivo da Sacem, a sociedade de autores francesa, uma das mais antigas do gênero no mundo, Jean-Noël Tronc disse que, ademais de aumentar o financiamento aos setores culturais, os governos devem trabalhar por marcos legais que os protejam: “É preciso garantir uma remuneração mais justa aos criadores e seus parceiros comerciais. Por isso, a implementação da Diretiva de Direitos Autorais (aprovada em 2019) é fundamental. Os líderes europeus precisam se preparar para o futuro, usando as indústrias culturais e criativas como um poder multiplicador de milhões de talentos individuais e um grande acelerador para o progresso social e ambiental na Europa.”

No Brasil, Marcelo Castello Branco, diretor-executivo da UBC e também presidente do conselho de administração da Cisac — portanto, com um olhar panorâmico sobre a realidade mundial e latino-americana ao mesmo tempo — disse que “infelizmente esta realidade devastadora se repete no Brasil e em toda a América Latina. Hoje mesmo foram divulgados dados do setor de eventos retratando perda de cerca de 450 mil empregos. Como bem disse Jean Michel Jarre, “cultura é necessidade básica”. Doações são válidas, mas o fundamental são ações concretas, planejadas, de reconstrução urgente de um setor economicamente vital como o cultural.”

LEIA MAIS: Veja o estudo completo

*Com informações do Gesac


 

 



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