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Relatório Global 2021 da Cisac destaca ações para mitigar efeitos da pandemia
Publicado em 03/06/2021

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Entidade que congrega 231 sociedades de gestão coletiva do mundo todo relembra iniciativas para fortalecer o autor e impulsionar a retomada do mercado musical

Por Alessandro Soler, de Madri

A Cisac apresentou nesta quinta-feira (3) seu Relátorio Global 2021, no qual destaca as diferentes ações que levou a cabo para mitigar os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre a gestão coletiva de direitos autorais e o mercado musical como um todo. Entre os pontos principais, estão a ajuda às 231 sociedades que compõem a entidade para desbloquear e impulsionar novas fontes de receitas – sobretudo digitais – e a parceria com a iniciativa Your Music Your Future International, para conscientizar os criadores sobre o há por trás do buy-out (ou compra total de direitos) de suas obras no setor audiovisual. 

Além disso, as ações políticas por uma melhor remuneração aos autores no streaming e a readmissão da sociedade espanhola Sgae, depois de uma ampla reforma ética e de governança que pode inspirar outras associações mundo afora, também aparecem no documento.

Num ano em que a arrecadação para todos os repertórios cobertos pela Cisac – além da música, o audiovisual, as artes visuais, o setor dramático e o mercado editorial – alcançou € 10 bilhões, mas com um claro impacto por conta da pandemia, a entidade promoveu importantes debates sobre a recuperação. O principal deles foi o evento ResiliArt, organizado em parceria com a Unesco, no qual especialistas, artistas, elaboradores de políticas públicas e ministros da Cultura de diversos países propuseram caminhos para reativar o setor cultural, duramente impactado pelo necessário isolamento social imposto pelos governos para tentar frear os contágios. 

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O presidente da Cisac, o sueco Björn Ulvaeus, lendário membro do ABBA, descreveu os três pilares de atuação da entidade: situar os criadores em primeiro lugar; pensar globalmente; e reforçar a atuação em rede que tanta força traz ao mundo da gestão coletiva.

“A economia da canção é o que há de mais importante (na música). São as canções que estão no início de tudo. Essas obras constituem a base e o motor das indústrias criativas. Mas as receitas com o streaming não são, nem de longe, suficientes para permitir aos criadores viver da sua arte. O reforço do direito autoral no âmbito digital deve ser o tema central dos debates sobre o caminho para a recuperação”, afirmou. 

A defesa do autor foi claramente expressada no abraço da Cisac ao Your Music Your Future, um projeto nascido nos Estados Unidos, e agora global, que se propõe a informar aos autores, nos mínimos detalhes, sobre o buy-out. A prática de compra total de direitos autorais, muitas vezes imposta por grandes produtores de filmes, séries e outros produtos audiovisuais aos criadores das trilhas sonoras – sob pena de o contrato não ser celebrado –, exige cuidadosa análise caso a caso. Tudo para que o autor não fique desprotegido no futuro.

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Trata-se de um tema de vital importância ante a óbvia expansão das produções audiovisuais movida pela pujança de grandes plataformas, como Netflix, HBO, Apple e Amazon, entre outras. Um dado que comprova, uma vez mais, que o mundo digital ocupa o centro da criação, da produção e da distribuição de conteúdos. 

“Na era pós-Covid, deveremos enfrentar as desigualdades criadas pela pandemia. Teremos que nos adaptar às profundas mudanças no comportamento e nas infraestruturas econômicas no nosso setor. A aceleração digital vai continuar”, analisou Marcelo Castello Branco, presidente do Conselho de Administração da Cisac e também diretor-executivo da UBC. 

Ele lembrou outros temas essenciais para o universo musical contemporâneo: a compra de catálogos musicais por grandes players do mercado, tema de uma extensa reportagem na mais recente edição da Revista UBC, e a oportunidade (ou bolha?) dos NFTs, as certificações digitais que têm atraído muito dinheiro ao setor cultural. 

“A onda de aquisições de catálogos não parece dar sinais de que irá diminuir. É uma prova de que os investidores reconhecem o enorme valor da música, da criatividade e das obras criativas. Os fundos privados estão se tornando cada vez mais os proprietários dos direitos, e os NFTs conquistaram o status de ativos digitais, gerando um desafio enorme para a maneira em que enxergamos e damos valor às fotos, aos vídeos, às obras de áudio e a outros tipos de arquivos digitais”, completou Castello Branco. 

Adaptando-se continuamente a essas mudanças, a Cisac implantou melhorias tecnológicas, auxiliando mais de 100 sociedades em sua migração ao novo sistema ISWC. E o trabalho de reintegração da espanhola Sgae, cuja diretoria foi completamente saneada depois de ter sido excluída por más práticas de gestão no passado, reforça a parceria estreita com as associações que compõem a entidade. 

“Foi muito gratificante a readmissão da Sgae na comunidade Cisac depois da realização de importantes reformas em suas operações, e depois de três anos de pressão, apoio e assessoria por parte da confederação”, lembrou Gadi Oron, diretor-geral da Cisac. “Ao longo do ano passado, fomos proativos diante da necessidade de mudar, mostrando resiliência e definindo uma nova visão para o futuro. Foi um ano que ninguém gostaria de repetir, mas que, sem dúvida, nos preparou para o mundo pós-Covid e para dias mais esplendorosos.”

LEIA MAIS: O relatório na íntegra (em inglês)


 

 



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