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YouTube: plataforma antiga com novas utilidades
Publicado em 14/09/2021

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Com procura intensificada durante a pandemia, site ganhou novas funcionalidades para o mercado musical

Por Akemy Morimoto, do Rio

A pandemia obrigou a classe artística a buscar novos caminhos de trabalho e de conexão com o público, para além dos palcos de shows. Na tentativa de manter o vínculo ídolo-fã vivo, músicos, intérpretes e compositores de diversos gêneros e gerações, como Dinho Ouro Preto, Luiz Caldas e Tília, apostaram no YouTube. Mesmo com o surgimento de novas redes, como o Tiktok e a Twitch, o velho YT segue conquistando espaço. O site lançado em 2005, muito utilizado em lançamentos de clipes, começou a ser visto como um ambiente criativo para novos conteúdos em formatos e acabamentos que encaixam perfeitamente na plataforma.

Ao longo de quase dois anos de ativação do canal do cantor e compositor Dinho Ouro Preto, foram gravados mais de 150 vídeos com temas diversificados, como lembranças da carreira, respostas a perguntas de fãs, entrevistas com amigos do meio musical e competição de bandas de garagem. Apesar do sucesso no YouTube, o vocalista da banda Capital Inicial revela que antes usava a plataforma “como um depósito dos DVDs e vídeos que acumulou ao longo dos anos”. Ao criar estratégias e conteúdos exclusivos para o YT, Dinho encontrou uma forma terapêutica de se expressar:

“Temas que nunca surgiram em entrevistas, que não necessariamente dizem respeito à minha carreira fonográfica, são pautas para o canal. Essa sensação de liberdade é muito gostosa. Foi uma forma de me manter sadio na pandemia.”

O diretor responsável pela produção do canal, Arnaldo Hase, já possuía um histórico de cases de sucesso no mercado esportivo. A experiência do Arnaldo, somada à competência de Dinho, resultou em mais de 120 mil inscritos e oito milhões de views totais.

“Tínhamos o sonho de transportar para a música alguns dos conceitos que trabalhávamos no futebol e que sempre funcionaram bem. Mostrar a intimidade, os bastidores, aproxima os clubes da torcida e humaniza os atletas. Entendíamos que, com adaptações, isso aconteceria também na música. E acredito que encontramos o cara perfeito”, conta o diretor-executivo da Power Media.

Seguindo pelo mesmo caminho, mas com menos produção e roteiro, o pai da axé music, Luiz Caldas, se aventurou por conta própria nas versatilidades do YouTube. Nos últimos dois meses, o artista diminuiu a postagem de conteúdos autorais e intensificou publicações como intérprete de músicas de outros compositores.

“Como eu cantei muitos anos em baile, conheço muitas músicas e consigo dar a minha cara a cada uma delas, sem perder a originalidade do arranjo. Isso dá muito certo. Os fãs adoram, e eu também me divirto muito”, conta o rei da música baiana.

Além da escolha de canções que fizeram história na música brasileira, Luiz conta que o cenário pouco planejado e a produção caseira deixam os vídeos ainda mais acolhedores para o público:

“Cantar na minha sala só com o meu violão é como se a gente estivesse em uma roda de amigos. As pessoas se identificam muito com esse formato.”

Com 40 anos a menos que Luiz Caldas, a jovem cantora Tília usou o YouTube como a principal ferramenta para iniciar a carreira musical. No ano passado, já com o início da pandemia, a artista investiu na criação da websérie “No Meu Talento”, em que mostra sua versatilidade como empreendedora, DJ, dançarina e cantora. O projeto foi usado como “marketing de pré-lançamento” para o primeiro single da artista, com o mesmo nome da série, e já ultrapassa 600 mil visualizações.

Mas a filha do Dennis DJ e da empresária Kamilla Fialho não parou por aí. Ela criou outros conteúdos para a plataforma, como o quadro “Eu tô muito youtuber” e um minidocumentário sobre o seu primeiro ano como cantora. Para o coordenador artístico da K2L, firma que empresaria a cantora, José Parrança, o resultado da sequência de planejamentos para o canal foi positivo, já que “as pessoas começaram a enxergar a Tília não só como a filha de dois nomes da música brasileira, mas como uma artista dedicada, inovadora e talentosa”. Já para a artista, além das repercussões positivas, o YouTube proporciona mostrar mais sobre sua intimidade e personalidade:

“O YouTube é um lugar onde eu posso ser mais eu. Eu posso fazer vídeos de quantas horas eu quiser, e eu adoro fazer isso”, conta Tília.

Com um pouco mais de um ano de canal ativo, o perfil já ultrapassa 80 mil inscritos e 10 milhões de views. José Parrança afirma que o segredo para o sucesso inicial foi a retenção da audiência por meio da aproximação entre ídolo e fã:

“O público da Tília é um público que consome conteúdos para além da música. As pessoas que chegam por conteúdos ‘do momento’ são retidas no canal e são as primeiras a serem impactadas pelos novos lançamentos musicais da artista.”
 

Seja por novas interpretações musicais, conteúdos de youtuber, entrevistas ou concursos de banda de garagem, está mais do que claro que as mudanças artísticas intensificadas pela pandemia dentro do YouTube são permanentes. O coordenador de marketing incentiva que o mercado musical continue explorando a plataforma:

“Pesquise bastante os conteúdos que estão sendo consumidos e em alta nas redes. Coloque a sua identidade e discurso nos materiais produzidos. Assim, você irá conseguir somar um produto de relevância com o seu diferencial de criador de conteúdo.”

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